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Alunos do Processo Seletivo Especial 2016 concluem Ciclo Básico Indígena

Alunos do Processo Seletivo Especial 2016 concluem Ciclo Básico Indígena

Aula de língua portuguesa. Foto: Josemir Moreira.

Os alunos indígenas ingressantes na Ufopa pelo Processo Seletivo Especial (PSE) 2016 concluíram, no último dia 7 de abril de 2017, o Ciclo Básico Indígena, formação inicial que contempla conteúdos das áreas de Ciências Exatas, Ciências Humanas, Tecnologias e Letras (língua portuguesa). Desenvolvido por meio de ações de ensino e extensão, o Ciclo Básico visa à melhoria da qualidade de aprendizagem do aluno indígena dentro da Universidade.

Composto por quatro disciplinas – Língua Portuguesa, Matemática, Metodologia Científica e Tecnologias – o Ciclo Básico foi ofertado aos 78 alunos aprovados no PSEI 2016, que cursaram o equivalente a um semestre letivo. Em maio, os discentes ingressarão no primeiro semestre de seus cursos regulares, junto com os calouros do Processo Seletivo Regular de 2017. Para os discentes selecionados no Processo Seletivo Especial Indígena de 2017, o Ciclo Básico será composto por dois semestres letivos.

Coordenado pela Pró-Reitoria de Gestão Estudantil (Proges) em parceria com a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proen), o Ciclo Básico Indígena é resultado das reivindicações dos discentes indígenas e integra a política de ações afirmativas que vem sendo implementada na Universidade. A iniciativa tem por objetivo proporcionar a excelência acadêmica desses estudantes, com expectativas na diminuição da evasão universitária. Atualmente a Ufopa possui 333 alunos indígenas, oriundos de 18 etnias.

Além de fortalecer os processos identitários e organizativos dos povos indígenas dentro da Universidade, o Ciclo Básico Indígena tem a meta de desenvolver metodologias de ensino, extensão e produção de conhecimento que valorizem e reconheçam as cosmologias e modo de vida desses povos. “Temos o desafio de implantar uma metodologia diferenciada, que procure trabalhar as dimensões étnico-racial, política, pedagógica e epistemológica, em busca de efetivar um diálogo interepistêmico e intercultural entre diferentes paradigmas civilizatórios”, explica a Diretora de Ações Afirmativas da Ufopa, Elenise Arruda. Outro desafio é trazer os conhecimentos dos povos indígenas e das comunidades quilombolas e tradicionais para a Universidade.

“Estamos buscando estratégias para poder fazer o aluno entender o que é a Universidade”, afirma a professora Cristina Vaz Duarte da Cruz, do Centro de Formação Interdisciplinar (CFI), que ministrou a disciplina de Língua Portuguesa. “Me lembro das primeiras aulas que tivemos no laboratório de informática do CFI, em que começamos a fazer pesquisas de cunho acadêmico, a acessar artigos e sites de referências, como foi rápida essa busca da familiaridade com o ambiente virtual”, afirma. “Os alunos já vêm com uma carga de virtual, porque utilizam o celular, mesmo os aldeados, e fazer pesquisa na internet foi muito simples. Com algumas aulas no laboratório eles já sabiam circulam em ambientes acadêmicos de pesquisa. É muito simples orientar esses alunos”.

Cristina Cruz explica que utilizou sua experiência como professora de língua estrangeira para ensinar os alunos, pois muitos são bilíngues e aprenderam a falar a partir de sua língua materna, como os Wai-wai e os Munduruku. “Transferi as experiências de ensino de língua estrangeira para o aprendizado da língua portuguesa, mas com técnicas do português para o estrangeiro. É preciso que o professor que dê aulas para os indígenas tenha uma experiência com o outro, que tenha se colocado na pele de falar com uma pessoa de outra língua”.

Oriundo da aldeia Mapuera, situada no município de Oriximiná, Janderson Wahko Wai-Wai é aluno bilíngue ingressante do Processo Seletivo Especial Indígena 2016. Ele achou muito interessantes as aulas ministradas. “É muito legal o Ciclo Básico, porque a gente aprende rápido. Os professores explicam melhor, porque os alunos têm dificuldades. O ensino lá na aldeia é uma coisa e aqui na Ufopa é diferente”, afirma o discente, que ingressará na Licenciatura Integrada em Biologia e Química.

Também pertencente à aldeia Mapuera, Josué de Sousa Wai-Wai pretende cursar Geologia. “Para mim, foi muito importante para os povos indígenas. Nós, os Wai-Wai, somos indígenas falantes bilíngues. É importante para saber falar a língua portuguesa. Entendemos algumas palavras e temos muitas dificuldades com palavras que não entendemos. Por isso precisamos do Ciclo Básico. Estamos vendo como a Universidade funciona e temos que buscar esse conhecimento, para levar daqui para a aldeia”.

Maria Lúcia Morais - Comunicação/Ufopa

11/4/2017