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Alunos de Biotecnologia visitam experimento de campo

Alunos de Biotecnologia visitam experimento de campo

Experimento com cultivares de macaxeira na Curuá-Una. Foto: Lenne Santos, 21/9/2017.

A turma do 9o semestre do curso de Bacharelado em Biotecnologia (Ibef) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) participaram de uma aula diferente: foram conhecer o experimento de melhoramento vegetal de cultivares de macaxeira, na comunidade de Boa Esperança, na Rodovia Curuá-Una (PA 370), a 40 km de Santarém. Em seguida, visitaram experimentos com espécies florestais implantados há cerca de um ano, na Fazenda Experimental.

A atividade fez parte do encerramento da disciplina de Melhoramento Vegetal ministrada pelo Prof. Edwin Palomino (Ibef), que em 2013 iniciou a pesquisa na qual foram intercruzados, ao acaso, clones de macaxeira. No ano seguinte, foram coletadas as sementes, as sementes e obtidas plântulas em viveiro. No mesmo ano, depois de cinco meses de semeadas, foram plantadas. “No ano de 2016, quando o adulto foi multiplicado de forma vegetativa e realizado o primeiro plantio clonal em parcelas experimentais”, explicou o professor.

O experimento - Atualmente estão sendo avaliados mais de 300 novos clones na comunidade de Boa Esperança e do Tabocal. De acordo com o professor  Palomino, a produtividade da macaxeira aqui na região ainda é bem baixa.“São colhidos cerca de 12 toneladas por hectare. Nos estados do Paraná e Goiás, por exemplo, são  40 toneladas  porém o potencial produtivo desta cultura pode chegar a 100 toneladas por hectare”.

Pelo cronograma, em 2018 será realizada a primeira colheita; posteriormente serão identificados e selecionados os clones mais produtivos, que “irão passar por mais um teste”. No ano seguinte, ou seja, em 2019 serão distribuídos manivas dos clones mais produtivos para os agricultores das comunidades onde estão sendo feitos os testes. “Nós vamos ter novas cultivares muito mais produtivas e resistentes a pragas e doenças, a margem de lucro deles vai aumentar. Vamos ter produtos de menor custo no mercado”, explicou o professor Palomino, que informou ainda que o projeto é desenvolvido com recursos próprios. “Não possuímos nenhum tipo de financiamento contamos apenas com a parceria dos alunos e de  produtores cedendo-nos  parte da suas propriedades para os  plantios”. Vale ressaltar também o projeto além do seu papel social, ele também já resultou em diversos trabalhos de conclusão de curso (TCCs) alguns já defendidos.

A experiência dos alunos - Para Breno Sena, estudante (9o semestre) que já pesquisa na área de química de produtos naturais e cujo trabalho é, em sua maior parte, limitado ao laboratório, a experiência no campo foi enriquecedora. “Nós biotecnologistas não podemos ficar apenas no laboratório, temos que conhecer toda a grade de produção para que possamos melhorar o sistema de produção, para então poder trazer benefícios para a sociedade”.

Valberson da Silva classificou de “formidável” a experiência. “Esse contato com campo, saindo das quatro paredes do laboratório, é muito importante para o nosso crescimento profissional”, concluiu.

Ele está pesquisando na área da nanotecnologia, ou seja, estuda a aplicação de substâncias encontradas na natureza para liberação de fármacos e “assim otimizar processos já existentes mas que não são tão eficazes atualmente”.

Amanda Lima, que encontrou na microbiologia material de pesquisa, estuda bactérias isoladas do solo da Amazônia em busca de novos fármacos. “A gente aprende, dentro do melhoramento vegetal, que podemos usar a biotecnologia dentro do melhoramento de plantas, procurando desde a resistência a doenças e maior produtividade. Aprende também a usar as plantas e a biotecnologia juntas para aplicar isso a melhorias que venham beneficiar a sociedade”.

Aline Vieira entrou na universidade cheia de dúvidas, encontrou na Biotecnologia as respostas que procurava: “O biotecnologista é o profissional do futuro, inovador. Na nossa profissão a gente aprende a dar solução para os problemas, principalmente para os problemas atuais e problemas vindouros. Foi o atrativo de solucionar problemas que me chamou a atenção”. Aline já está realizando pesquisas dentro da universidade: “Eu trabalho com gerenciamento de resíduos (tratamento), onde eu utilizo a manipueira – bactérias que vão degradar a manipueira – e observo a geração de energia elétrica a partir da manipueira para obtenção de uma nova utilidade para esse resíduo”.

Mas o que é mesmo Biotecnologia? Noura Natan, 9o semestre, tem na ponta da língua o conceito: “É o estudo cujo objetivo é obter produtos ou serviços a partir de seres vivos. No caso, aqui do melhoramento vegetal, a partir de um ser vivo que é a planta, você vai obter um produto ou melhorar esse produto”.

E é exatamente isso que pretende o professor Palomino: ajudar os pequenos agricultores da região de Santarém a plantar cultivares de macaxeira mais produtivas. “É a lei da oferta e da procura. Mais produto no mercado, menor preço. Isso sem contar a qualidade”, concluiu.

Confira aqui mais fotos da visita de campo dos alunos de Biotecnologia.

Texto e fotos: Lenne Santos – Comunicação/Ufopa

27/9/2017