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Doutorandos da Ufopa criam site para fomentar ecoturismo em comunidades da Flona

Doutorandos da Ufopa criam site para fomentar ecoturismo em comunidades da Flona

Doutorandos exibem página inicial do site Jamaguari. Foto: Renata Dantas.

Alunos do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Ufopa lançam, na próxima segunda-feira, 7 de agosto, o website https://jamaguari.wixsite.com/meusite. Como o próprio nome sugere, a página reúne informações das comunidades Maguari e Jamaraquá, ambas localizadas no interior da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, unidade de conservação gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Desenvolvido a quatorze mãos, o site é um produto criado pelos doutorandos dentro da disciplina “Ecologia, manejo e conservação de ecossistemas”, ministrada pelo professor Luís Reginaldo Rodrigues. O projeto surgiu como um desafio para o grupo. Distantes 75 quilômetros de Santarém, as comunidades abrigam pouco mais de 70 famílias, que têm no turismo sua principal fonte de renda. O objetivo é, através da promoção do turismo, fomentar a economia das localidades, elevando a renda das famílias que vivem ali. “Por serem uma unidade de conservação, eles não têm permissão para produzir, até a agricultura de subsistência e a criação de animais são limitadas”, explica o físico Daniel Jati, um dos integrantes do grupo.

Além de receberem turistas, as comunidades comercializam produtos artesanais elaborados principalmente a partir do látex extraído das seringueiras. Em pequenas lojas locais, os visitantes podem comprar bolsas, sandálias, agendas, bolas de borracha e biojoias feitas a partir de sementes, borracha, palha e resíduo de madeira. Além de beneficiar a borracha, eles também comercializam a matéria-prima: mantas de látex, que seguem para estados como Rio de Janeiro e São Paulo através de encomendas. Os comunitários do Maguari produzem, ainda, o couro ecológico, uma espécie de tecido feito a partir de látex e algodão.

Apesar de já possuírem uma série de serviços e produtos turísticos, a falta de informação é, muitas vezes, um entrave para a consolidação e a expansão do turismo local. “As pessoas acham, por exemplo, que é muito burocrático conseguir autorização do ICMBio para entrar lá. E não é tão complicado assim”, avalia a engenheira florestal Vanessa Leão. A bióloga Bruna Martins reforça: “a gente mesmo, que mora aqui em Santarém, não sabia como chegar, não sabia os preços, como funcionavam as coisas lá. As informações que tínhamos eram mínimas”, enfatiza.

Além de indicar as formas de obter autorização do Instituto para entrar na Flona, o site fornece informações sobre como chegar às comunidades, além de valores de hospedagem e alimentação. O doutorando Daniel conta que sempre teve vontade de levar a família para conhecer as localidades, atraído tanto pelas belezas paisagísticas quanto pelo estilo de vida tradicional que os comunitários levam. “Mas tinha receio por causa do custo. Não sabia, até então, que existia ônibus que fazia linha pra lá. Também não tinha noção de quanto gastaria com pousada e alimentação, por exemplo”, considera.

Hoje, a partir das informações do site, o visitante tem condições de preparar um orçamento completo e se programar com antecedência. Disponibilizar um arsenal de informações farto e atualizado é, segundo a equipe, o instrumento-chave para estimular os visitantes da região e ajudar a fomentar o turismo no Maguari e Jamaraquá, já que, atualmente, o maior fluxo de turistas nesses lugares é de estrangeiros, que vêm visitar a região com pacotes já fechados para conhecer a Flona e suas comunidades, incluindo pontos famosos, como a gigantesca samaúma no Maguari - chamada de “Vovozona”, a árvore é uma anciã da floresta, com idade estimada entre 900 e mil anos. “A gente quer incentivar principalmente o turista daqui das redondezas, aquele que é filho da terra, mas não conhece esses lugares”, destaca Daniel.

Futuramente, o grupo pretende promover treinamentos para os jovens comunitários, com a intenção de que eles assumam a gestão das ferramentas digitais, já que, além do website, a equipe criou no Facebook a página “Jamaguari”, para dar maior visibilidade ao projeto. “Percebemos que os jovens se afastam um pouco dos trabalhos manuais, queremos tentar inserir a juventude nesse plano de ecoturismo, fazer com que eles assumam essa responsabilidade”, finaliza Daniel.

Serviço: Lançamento do site Jamaguari

  • Local: Sala 2, 2º andar da unidade Proppit
  • Data: 7/8/2017
  • Hora: 9h

 

Renata Dantas – Comunicação/Ufopa

3/8/2017