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Proppit implanta bolsas Pibic de ações afirmativas para indígenas e quilombolas na Ufopa

Com o objetivo de aproximar estudantes indígenas e quilombolas da Ufopa dos projetos de iniciação científica, a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica (Proppit) lançou em 2017 dois novos subprogramas vinculados ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), destinados exclusivamente a esses grupos. “Verificamos uma adesão muito baixa de estudantes indígenas e quilombolas ao nosso Pibic. Assim, surgiu a ideia de lançarmos subprogramas para atender especificamente esses alunos. Queríamos despertar um interesse maior deles”, explica o diretor de Pesquisa da Ufopa, Prof. Antonio Humberto Minervino.

No edital lançado este ano, das 108 bolsas ofertadas para o Pibic-Ufopa, a Universidade destinou 25 às ações afirmativas. O Pibic Ações Afirmativas (Pibic-AF) é dirigido aos graduandos que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica ou que ingressaram na Ufopa por meio de ações afirmativas, como é o caso dos indígenas e quilombolas. Em iniciativa inédita, das 25 bolsas destinadas ao Pibic-AF, dez foram exclusivas para indígenas e quilombolas, sendo cinco para cada subprograma. As bolsas foram implantadas em agosto deste ano e têm duração de um ano.

Aluna do 5º semestre do bacharelado interdisciplinar em Saúde, Geovana Lima Pereira foi uma das alunas contempladas pelo Pibic-AF. Oriunda da comunidade quilombola de Murumuru, localizada na região do planalto santareno, a estudante de 22 anos traz experiências prévias como bolsista de extensão da Pró-Reitoria da Comunidade, Cultura e Extensão (Procce), em um projeto relacionado à cultura afro-brasileira, e como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Extensão Universitária (Pibex), em um projeto voltado para a saúde da mulher negra no quilombo de Murumuru. Atualmente, através do Pibic, participa de uma pesquisa a respeito do uso de agrotóxicos na região Oeste do Pará.

Segundo Geovana, a pesquisa científica é muito importante dentro e fora da universidade. “A extensão te traz um conhecimento de mundo, muito diferente daquele da sala de aula. É o mundo fora dos muros da universidade. Já na iniciação científica, você parte de um problema que não está sendo pesquisado e que, às vezes, está bem próximo da gente, da nossa casa, e a gente não enxerga, como é o caso dos agrotóxicos. Através da pesquisa você conhece o que os autores já falaram sobre aquele tema e passa a conhecer a realidade de onde você vive, gerando conhecimento não só pra você, mas para a sociedade. Pesquisa é isso, é dar o retorno para a comunidade, levando conhecimento e informação”, avalia a jovem.

De acordo com o diretor de Pesquisa da Ufopa, outro objetivo dos subprogramas Pibic destinados aos indígenas e quilombolas é estimular os docentes da Ufopa a realizar pesquisas envolvendo temáticas próprias da realidade desses estudantes. “Tendo um Pibic exclusivo para indígenas, imaginamos que o orientador vai desenvolver um projeto envolvendo, por exemplo, a cultura, a saúde, as línguas indígenas, temas desse contexto”, enfatiza Minervino.

É o caso do projeto em que está inserida a aluna Patrícia de Oliveira Pereira, 30 anos, que cursa o 7º semestre do curso de História. Orientada pelo professor Diego Marinho de Góis, essa é a primeira vez que ela participa de uma pesquisa científica. “Está sendo uma experiência muito proveitosa e importante para mim, justamente porque se trata de um projeto sobre a presença indígena na região de Santarém durante o século XX e eu sou indígena. É um contato muito novo, mas espero obter mais conhecimento a respeito desse tema e aproveitar o levantamento de dados para meu trabalho de conclusão de curso”, ressalta a estudante, que é da etnia Tupinambá, habitante da margem esquerda do rio Tapajós.

Os resultados das pesquisas de iniciação científica dos bolsistas Pibic deverão ser apresentados em 2018, durante o seminário que a Proppit realiza anualmente.

Renata Dantas - Comunicação/Ufopa

31/8/2017