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“A Universidade convive com o debate da emancipação feminina e da afirmação de gêneros”, afirma reitora da Ufopa

“A Universidade convive com o debate da emancipação feminina e da afirmação de gêneros”, afirma reitora da Ufopa

Raimunda Monteiro, reitora da Ufopa. Foto: Rosa Rodrigues.

Em entrevista exclusiva, a reitora da Ufopa, Raimunda Nonata Monteiro, faz uma reflexão sobre o Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, com destaque para a participação feminina nas universidades brasileiras. Para a reitora da Ufopa, as mulheres nas universidades são um fenômeno crescente: hoje um terço das universidades brasileiras são dirigidas por mulheres e, na Ufopa, várias ocupam cargos estratégicos de gestão e de coordenação de cursos.

De acordo com levantamento realizado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep), a Ufopa conta atualmente com 296 técnicas e 170 professoras, de um universo de 383 docentes e 551 técnicos administrativos. Já segundo dados da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proen), do total de 4.447 alunos da graduação, 2.565 são alunas, ou seja, mais de 50% do quadro de discentes é formado por mulheres.Estamos formando profissionais que estarão aptos para fortalecer a emergência das identidades, de visões de tolerância e de aceitação das diferenças”, afirma Raimunda Monteiro.

(MLM): Como a senhora analisa a participação feminina hoje na Ufopa?

(RM): A Ufopa é uma universidade nova. Ela nasce com uma forte participação dos vários setores da sociedade puxando os assuntos emergentes do início do século XXI na Amazônia. Aqui pulsam os temas das ações afirmativas, da diversidade cultural e também das questões de gênero. A Universidade convive, vivamente, com o debate da emancipação feminina, da afirmação de gênero, e isso é positivo.

Na gestão temos hoje cerca de 30 mulheres que coordenam cursos e estão em cargos de direção. Elas também estão atuando firmemente na estruturação dos campi em outros municípios. São colegas, servidoras, que são determinantes na organização acadêmica e administrativa, na pesquisa, e que, de alguma forma, vão conferindo à instituição uma feição social plural. Isso é muito importante para a gente, neste momento de construção, porque a Universidade já nasce com essa característica, que, ao final das contas, é uma característica democrática.

(MLM): Hoje no país há um grupo seleto de mulheres que estão na administração de outras universidades. Na sua opinião, quais são os principais desafios que essas mulheres enfrentam no país?

(RM): Se formos ver, mulheres ocupando cargos destacados na direção de instituições é fenômeno de cinquenta anos no país. Nesse período tivemos mulheres em cargos de governo, liderando processos de luta democrática, artistas se destacando em nível nacional e internacional, até mesmo uma mulher sendo presidente e, de alguma forma, constituindo uma trajetória política no país.

As mulheres nas universidades são um fenômeno crescente. Hoje nós temos um terço das universidades brasileiras dirigidas por mulheres e elas são, com certeza, muito atuantes principalmente na busca dos avanços no ensino superior, na discussão, na substanciação de temas como a reforma curricular, na proposição de modelos inovadores na educação, e mesmo na gestão das universidades.

Hoje, a Associação Nacional de Dirigentes de Instituições de Ensino Superior é dirigida por uma mulher, na gestão passada também, e elas têm dado um tom de liderança para as instituições de ensino superior, o que tem sido muito saudável, e que têm projetado as nossas universidades públicas com alto protagonismo na discussão da educação no país.

(MLM): Na sua opinião, qual o papel da academia no combate ao machismo e ao sexismo? A nossa Universidade está preparada para fazer parte dessa luta? Quais são as contribuições que a Ufopa tem a oferecer?

(RM): Essas questões que vemos emergirem como um retrocesso em relação a preconceitos, ao sexismo, e vários outros avanços que hoje estão sendo dilapidados, são um fenômeno histórico e, como estamos observando, não são um fenômeno restrito ao Brasil. Emerge no mundo uma onda conservadora que questiona direitos fundamentais conquistados nos últimos trinta anos nas democracias mais avançadas.

No Brasil, temos a Constituição de 1988, que foi um marco de institucionalização de direitos dos quais não devemos abrir mão e que ampara, ainda hoje, a continuidade das lutas pelo avanço democrático e pelo respeito aos direitos étnico-raciais, de gênero e todos os direitos sociais conquistados, a duras penas, naquele momento da história do país.

A Universidade é um lugar privilegiado para o debate dessas questões. A Universidade tem que pautar aqueles assuntos que são de interesse humanitário, de interesse universal. Nesse sentido, ela tem que criar canais de debates e esses canais já estão institucionalizados. Temos uma Diretoria de Ações Afirmativas voltada para a inclusão social dos alunos desta região que se enquadram em diferentes categorias étnico-raciais e territoriais, e temos buscado, cada vez mais, melhorar esse mecanismo de inclusão.

Temos também a Pró-Reitoria da Cultura, Extensão e Comunidade, que é um canal de expressão das mais diversas manifestações de interesse dos grupos sociais que estão presentes e daqueles que também queiram encontrar na Universidade um canal para o debate de suas questões.

Como um todo, temos cursos na área de humanas, como a Antropologia e a Arqueologia, que formam hoje profissionais com uma visão humanista que, com certeza, vão influenciar muito para que a nossa sociedade se fortaleça nas suas identidades. Estamos formando profissionais que estarão aptos para fortalecer a emergência das identidades, de visões de tolerância e de aceitação das diferenças, que venham a negar essas atitudes e visões conservadoras que infelizmente emergiram em nossos tempos.

Ouça aqui a íntegra da entrevista.

Maria Lúcia Morais - Comunicação/Ufopa

8/3/2017