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Professora da Ufopa defende tese no Instituto de Física da USP

Professora da Ufopa defende tese no Instituto de Física da USP

Foto: Edvaldo Pereira

Mulheres começam a ocupar espaço numa área antes dominada pelos homens

Com a tese intitulada “Identidades docentes e Amazônia: movimentos no contexto de um programa de formação”, defendida em fevereiro no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), a professora Lílian Cristiane Almeida dos Santos, do Instituto de Ciências da Educação (Iced), conquistou o título de doutora em Ensino de Física. A pesquisa, orientada pela Profa. Dra. Maria Regina Dubeux Kawamura e aprovada com recomendações para publicação, foi desenvolvida no município de Alenquer, localizado no Oeste do Pará, uma das cidades que abrigam campi da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A banca de avaliação da tese teve a participação do Prof. Dr. Juarez Bezerra Galvão, também do Iced.

Foi durante o período em que assumiu a Coordenação de Cursos de Licenciatura do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), no Centro de Formação Interdisciplinar (CFI), que surgiu a inquietação, transformada depois em questão científica. “Foi daí que me veio o questionamento: qual a contribuição que um programa de formação como o Parfor pode oferecer à região Oeste do Pará?”.

Para responder a essa questão, a pesquisadora recorreu a documentos oficiais como o plano pedagógico de curso, legislações, memoriais de alunos, entrevistas semiestruturadas, entre outros recursos. “Eu optei por estudar a identidade dos professores que foram alunos do Parfor. Investiguei como esses professores chegam à universidade, como é que eles saem depois de concluir o curso. Optei também por fazer um olhar sobre o curso e todo o contexto em que esse curso ocorre”. Para isso, a pesquisadora inclui na tese dois capítulos que contextualizam o ambiente onde estão inseridos os quase 60 professores que integram o “corpus” da pesquisa.

O marco teórico da tese classifica “três tipos identitários” de professores dos cursos do Parfor em Alenquer: identidade em busca de estabilidade; identidade em busca de desenvolvimento/pertencimento; e identidade em busca de autonomia e negação à docência. “Esses três tipos estão no marco teórico da tese, é esse o nosso diferencial. Eles são fruto da investigação. Em nenhum momento eu faço juízo de valor. As pessoas são diferentes e têm todo o direito de ser”, explica.

A pesquisadora ressalta um aspecto que chamou a atenção durante a realização do trabalho. “Percebi durante as pesquisas, e também ao analisar relatórios, que os professores oriundos da Zona Rural estão conseguindo concluir o curso, a evasão é muito pequena. Isto é muito importante para uma mudança no quadro da educação no Brasil”. Na tese, há um capítulo inteiro dedicado ao Parfor.

O texto completo com os resultados da pesquisa será, em breve, disponibilizado no repositório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) para futuras consultas. A publicação também deve resultar em artigos que serão publicados posteriormente. “Este trabalho não tem uma conclusão, o que nós fazemos são considerações. Há um leque de possibilidades pela frente. Por exemplo, nós não chegamos à sala de aula dos alunos, pesquisamos os professores. E vejo como muito importante a abertura de um diálogo mais direto da universidade com a sala de aula”.

Da graduação ao doutorado, Lílian Cristiane frequentou o Instituto de Física da USP, em que a maioria dos alunos era do sexo masculino. Ela diz que nunca enfrentou preconceito institucional, mas teve de vencer a discriminação de alguns colegas de turma e até de professores, que duvidavam da sua capacidade técnica. “Em determinadas aulas de laboratório, eu olhava uma medida e dois meninos da turma iam checar se eu havia verificado a medida de forma correta. Eles confirmavam, com certa tristeza, que a medida estava certa”. São situações desse tipo que muitas mulheres têm de enfrentar, ainda hoje, por estarem ocupando espaços em áreas tradicionalmente dominadas por homens.

Lenne Santos - Comunicação/Ufopa

8/3/2017

 

A banca: Maria Regina Kawamura (orientadora, IFUSP), Juarez Galvão (Ufopa), Mônica Galindo (Unesp), Verônica Guridi (EACH-USP), Lilian Santos e Valéria Dias (IFUSP). Foto: divulgação.