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Fórum Farmacêutico do Oeste do Pará inicia-se na segunda, 12, discutindo uso e descarte adequados de medicamentos

O Instituto de Saúde Coletiva (Isco) promove, de 12 a 14 de junho, o I Fórum e Workshop Farmacêutico do Oeste do Pará (Fofopa). Em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA) e com o Conselho Regional de Farmácia do Pará (CRF-PA), o evento também conta com a participação das Faculdades Integradas do Tapajós (FIT), do Instituto Esperança de Ensino Superior (Iespes) e da Pastoral Social Cáritas do Brasil. O evento será realizado na sede do MP-PA, localizado na avenida Mendonça Furtado, 3837, bairro Liberdade. Ainda há vagas disponíveis para o evento. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através da página http://www.even3.com.br/fofopa.

O evento tem objetivo de instigar a discussão acerca do descarte e do uso adequado de medicamentos. A ideia inicial surgiu quando, a partir da realização de duas edições do Farmacêutico Pai D'Égua, promovidos pelo CRF-PA em 2015 e 2016, foram arrecadados em Santarém cerca de 1.200 quilos de medicamentos vencidos e/ou inutilizados. “Eles realizaram o mesmo evento em Belém e não arrecadaram metade disso. Diante da alta quantidade coletada, veio uma interrogação: pra onde estão indo esses medicamentos, já que possivelmente não há em Santarém uma política para coleta e destinação adequada desses produtos?”, questiona o professor Dr. Wilson Sabino, vice-diretor do Isco. Surgiu, então, a necessidade de pensar coletivamente e apontar uma solução para o descarte adequado de medicamentos vencidos na cidade.

Sabino ressalta que, em Santarém, os medicamentos vencidos nos lares devem estar sendo descartados no meio ambiente. “Pode ser que as pessoas estejam jogando no lixo de casa ou até na privada mesmo. Precisamos saber que cada quilo de medicamento tem potencial para poluir até 450 mil litros de água. Daí vem nossa preocupação em chamar atenção para esse debate”.

Outro perigo do descarte inadequado de medicamentos é o estímulo à resistência bacteriana. Quem explica é o Dr. Matheus Vaz, farmacêutico recém-formado pela Ufopa: “Se analisarmos os medicamentos antibióticos, que servem para eliminar bactérias, por exemplo, percebemos que ultimamente tem ocorrido um enorme processo de resistência bacteriana. Antibióticos de primeira escolha e tidos como eficazes não estão mais sendo suficientes para solucionar infecções simples; e, se continuarmos nesse ritmo, em breve podemos acabar sem arsenal terapêutico”, avalia.

Vaz enfatiza que, para que os microrganismos sejam eliminados, é essencial que se cumpra todo o tratamento previsto. O paciente deve tomar o remédio pelo período recomendado e da forma correta, conforme a prescrição médica. “Se o paciente tomar por menos tempo, pode ser que essa bactéria fique resistente e não seja eliminada. Esse antibiótico prescrito inicialmente pode não servir mais, sendo necessário um mais potente e, se aquele medicamento inicial que ‘sobrou’ for despejado no meio ambiente, que é naturalmente cheio de bactérias, poderá induzir a um processo de resistência bacteriana”, explica.

Uso de medicamentos - Os debates no Fórum devem ir além da questão do descarte. O uso adequado de medicamentos também será colocado em pauta durante o evento. Os temas encontram eco no trabalho de Ilvia Gomes, acadêmica do curso de Farmácia na Ufopa e integrante do grupo de pesquisa "Gestão Técnica e Clínica do Medicamento". Ilvia desenvolveu, como projeto de iniciação científica e trabalho de conclusão de curso, um estudo acerca da adesão ao tratamento medicamentoso por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Santarém.

Ao todo, participaram da pesquisa 192 pessoas, todas portadoras de doenças crônicas, como pressão alta e diabetes. Ela verificou que a adesão ao tratamento – receber o medicamento na unidade básica de saúde e tomar adequadamente – é muito baixa. Os índices de não adesão estão entre 95% e 98%. “Visitamos as pessoas e começamos a observar que elas não usavam os remédios que recebiam, muitos deles ficavam guardados em casa”, informa Ilvia.

O não uso ou o uso incorreto do medicamento podem levar a uma agravação do quadro clínico do paciente. “Muitos desses pacientes estavam com pressão arterial e glicemia alterada por não usarem o remédio de acordo com a prescrição ou por terem suspendido o uso”. Segundo Ilvia, a falta de orientação é um dos principais motivos para a baixa adesão ao tratamento. “Não temos profissionais farmacêuticos nas unidades básicas de saúde para dar essa orientação”, enfatiza.

De acordo com a estudante, os medicamentos inutilizados, guardados em casa, fazem falta para outros pacientes. “Visitamos pessoas que procuraram a unidade básica e não encontraram o medicamento. Por outro lado, fomos em casas que tinham o medicamento sobrando, sem uso”, observa Ilvia.

Outro risco de se manter medicamentos em casa é a intoxicação. Matheus Vaz relata que, durante os eventos que arrecadaram medicamentos vencidos em Santarém, chegou a receber sacolas cheias de remédios. “As pessoas guardam isso em casa sem saber que a intoxicação por medicamentos é uma das grandes responsáveis por casos de intoxicação no País. A cada hora, três brasileiros se intoxicam com medicamentos por automedicação. Imagine medicamentos guardados em casa sem a devida segurança e as crianças tendo acesso a isso?”, indaga.

Objetivos - O vice-diretor do Isco reforça que uma das intenções da organização do fórum é, ao final do evento, reunir contribuições para os seguintes direcionamentos: descarte correto dos medicamentos; ações e/ou políticas intersetoriais que se traduzam no melhor uso dos fármacos pela população; proposição ao Ministério Público, no âmbito da saúde e meio ambiente; e, também, redirecionamento do ensino dos futuros egressos da Saúde, levando em consideração os resultados obtidos no evento.

Outro objetivo é, em parceria com Ministério Público, elaborar a Relação Municipal de Medicamentos Essenciais. Wilson Sabino explica que os médicos que atendem no serviço público devem prescrever medicamentos de acordo com a Denominação Comum Brasileira, indicando o princípio ativo do medicamento, em sintonia com a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). A listagem nacional pode sofrer variações de acordo com a região, mas, segundo Sabino, até o momento, os municípios do Oeste do Pará não têm sua relação própria.

“O médico deve prescrever de acordo com esta relação, porque são esses os medicamentos que ele obrigatoriamente terá nas farmácias das unidades básicas para dar aos pacientes. Esperamos estabelecer uma parceria entre Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos para criar uma lista comum para os três municípios”, conclui Sabino.

Confira aqui a programação do I Fórum e Workshop Farmacêutico do Oeste do Pará.

Renata Dantas - Comunicação/Ufopa

12/6/2017