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Culto macrorreligioso inicia comemorações de formatura da primeira turma de Biotecnologia

Culto macrorreligioso inicia comemorações de formatura da primeira turma de Biotecnologia

Religiosos celebram a diversidade na Ufopa. Foto: Lenne Santos, 5/5/2017.

Numa cerimônia marcada pela emoção, ocorrida na sexta-feira, 5 de maio, no auditório da Unidade Tapajós, os 17 formandos da primeira turma do curso de Biotecnologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) deram início às comemorações de formatura com a realização de culto macrorreligioso, que teve representantes de quatro religiões: catolicismo, protestantismo, a doutrina espírita e o candomblé.

Durante quase três horas os formandos, acompanhados de familiares, integraram a cerimônia, formada por ritos que envolveram as quatro religiões, como por exemplo, um momento de pedir perdão, entronização da palavra por meio da Bíblia ao som de músicas do candomblé, salmos cantados, bênção dos anéis.

Um dos momentos mais emocionantes foi a “homenagem às famílias”, durante a qual foi exibido um vídeo gravado pelos formandos, com frases de agradecimentos.

A mensagem da Igreja Católica, proferida pelo representante da instituição e servidor da Ufopa Alípio Gomes, foi de disseminação da esperança: “A formatura destes nossos irmãos promove a esperança de que a vida possa melhorar, com profissionais que consigam dar melhor qualidade de vida para a população dentro da sua área de formação”.

Os evangélicos, representados pelo pastor batista Expedito Amaral, pregaram a união: “Nós partimos do princípio da unidade, da fraternidade, da comunhão. E a nossa alegria se completa ao vermos a alegria destes novos profissionais e somos muito gratos a Deus por essa comunhão em nome de Jesus”.

A representante da comunidade espírita do Oeste do Pará, Alene Gomes, chamou a atenção para o que classificou de “doenças sociais”: o preconceito e a violência contra negros, mulheres e indígenas. “A nossa mensagem aqui hoje, por meio dos conhecimentos do espiritismo, é fazer uma aliança entre a sabedoria e o amor e fazer brilhar a luz, não só do conhecimento científico e da inteligência, mas também da prática da moral, desenvolvendo a ciência para o bem da humanidade”.

A ialorixá Maria da Conceição Lopes Moraes, avó de uma das formandas, ressaltou os princípios do candomblé, religião herdada dos africanos, e a relação com a Biotecnologia: “Nós também manuseamos as plantas, os vegetais, cuidamos da natureza, já que cultuamos os deuses africanos que representam a natureza; nada mais justo que defendermos a preservação da natureza. Muitos aqui irão trabalhar com o manuseio de medicamentos, e a medicina tem base nas ervas. Por isso, eles precisam ter conhecimento e respeito pelas plantas. Essa é a minha lição hoje aqui”.

Para a diretora do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) e coordenadora do curso de Biotecnologia, Elaine Oliveira, que atuou como comentarista da celebração, o culto em formato macro reflete a diversidade existente dentro da universidade. “O curso de Biotecnologia tem vários alunos adeptos do candomblé e eles fizeram questão de incluir a religião no culto; houve resistência no início, mas depois em comum acordo todos aceitaram incluir o candomblé”.

Veja aqui mais fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/132566521@N05/sets/72157680468670723.

Texto e fotos: Lenne Santos - Comunicação/Ufopa

8/5/2017