Você está aqui: Página Inicial Notícias 2017 Maio Ufopa debate crise e ensino público superior com Uepa e IFPA

Ufopa debate crise e ensino público superior com Uepa e IFPA

Ufopa debate crise e ensino público superior com Uepa e IFPA

Raimunda Monteiro apresenta estudo sobre atual crise econômica brasileira.

O ensino público superior no contexto da crise econômica brasileira foi o tema de um debate promovido na tarde do dia 2 de maio de 2017 no auditório da unidade Tapajós da Ufopa, em Santarém. Liderado pela reitora da Ufopa, Raimunda Monteiro, o encontro contou com a participação da coordenadora geral do campus Santarém da Universidade Estadual do Pará (Uepa), Silvânia Takanashi; do diretor de Ensino do campus Santarém do Instituto Federal do Pará (IFPA), Fabrício Fernandes; e do presidente da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Subseção Santarém), Joniel Vieira.

Embasando o debate, a reitora da Ufopa apresentou um estudo realizado pela professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Tânia Bacelar, mostrando que a crise atual deriva em boa parte do avanço da financeirização e da globalização mundial, com preponderância da esfera financeira (mercados de câmbio e títulos e bolsa de valores) sobre o mercado produtivo. Aliada a esse fator, a desaceleração da economia chinesa ocasionou, a partir de 2010, uma queda drástica no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, já que a China era a principal importadora de commodities nacionais. O estudo também demonstrou, através de dados do Banco Mundial (Bird), que a crise fiscal não advém das políticas sociais estratégicas, pois o gasto social com os 40% mais pobres não chega a 17% dos gastos primários do orçamento brasileiro.

Segundo a reitora da Ufopa, internamente, o ambiente nacional não tem favorecido os debates. As crises são muito intensas e a radicalização de posicionamentos dificulta o diálogo. A instabilidade do quadro político e o desgaste dos políticos agravam a incerteza quanto ao projeto nacional, especificamente no que tange à educação, com altos cortes orçamentários e investimentos congelados pelos próximos 20 anos. Nesse contexto, a reitora questionou: “Qual horizonte guiará nossas decisões futuras?”.

Segundo Fabrício Fernandes, do IFPA/Santarém, os cortes no orçamento já afetam a estrutura do campus. “Zeramos os investimentos para este ano, os recursos são apenas para nos mantermos. Temos que encontrar soluções conjuntas para sobrevivermos”, avaliou. Segundo o diretor, a principal preocupação são os impactos na assistência estudantil e na pesquisa. “Vivíamos um momento de grande avanço em termos de projetos de pesquisa e extensão. Tememos um retrocesso nesse sentido”, enfatizou.

Para atravessar a fase difícil, a gestão do IFPA em Santarém vem buscando apoios externos, assim como a Uepa. “Nesse momento, a gerência tem sido nosso ponto forte, a busca por uma gestão mais eficiente. As parcerias são nossas alternativas, temos vivido situações de negociações extremas”, ressaltou a coordenadora geral da Uepa em Santarém, Silvânia Takanashi. A universidade estadual priorizou a assistência estudantil e optou por reduzir investimentos em extensão e no programa de monitoria. Além disso, cortou significativamente a ajuda de custo para participação em eventos científicos.

Ao final do debate, a reitora da Ufopa propôs uma agenda conjunta para definir possíveis intervenções e para que as discussões tenham sequência, abordando outros temas de interesse das instituições, como o impacto da terceirização e a questão da assistência estudantil. “Precisamos somar esforços para que cumpramos a nossa missão, enquanto instituições públicas de ensino superior, que hoje está sob ameaça. Vi hoje aqui uma possibilidade para sincronizarmos projetos de ensino superior para a região e ações concatenadas neste novo cenário”, finalizou.

Renata Dantas - Comunicação/Ufopa

3/5/2017