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Crise nas universidades públicas precisa de envolvimento social para reversão

Crise nas universidades públicas precisa de envolvimento social para reversão

Foto: Albanira Coelho

Ponto de vista foi do presidente da Andifes durante palestra na Ufopa

Como parte da programação do aniversário de 8 anos da Ufopa, a palestra "Universidade Pública: Novos tempos, novas lutas", foi ministrada na noite de quarta-feira, 8, pelo reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e presidente da Andifes, Emmanuel Tourinho.

No Auditório Wilson Fonseca, da Unidade Rondon, o palestrante mostrou muitos dados importantes e que explicam o processo histórico da educação superior nas instituições federais, bem como a atual conjuntura envolvendo a crise enfrentada atualmente pelo setor; ele acredita numa reversão da atual crise, desde que haja um envolvimento conjunto da sociedade.

Tourinho lembrou que as universidades públicas são melhores instituições formadoras de recursos humanos para o país, além de serem responsáveis pela maior parte da produção científica nacional, atuando no ensino, pesquisa, extensão, inovação e prestação de serviços.

Deu ênfase ainda aos setores que mais se beneficiam da expertise das universidades públicas no desenvolvimento de soluções e citou o governo, as organizações não governamentais, movimentos sociais, setor industrial, transporte e infraestrutura.

Falou do quanto evoluiu a qualificação da universidade pública federal, com ênfase na qualificação docente, gerando proporção de professores com mestrado ou doutorado, o que registrou um salto de 49% em 1995 para 91% em 2015.

Durante a exposição, fez duras críticas à nova forma do atual governo de enxergar a educação. Disse que “o Brasil permanece um dos países com menor investimento em educação. Enquanto destina apenas 3.439,49 dólares anuais por aluno, os Estados Unidos investem quatro vezes mais”, disse Tourinho, ao acrescentar que “é indiscutível o crescimento quantitativo e qualitativo das universidades públicas federais na última década”.

Cobrança de mensalidade – Tourinho apresentou dados que comprovam a inviabilidade de pagamento de mensalidade nas instituições públicas federais. Disse que a proporção da renda familiar bruta que precisaria ser destinada ao pagamento por cada aluno mantido pela família na universidade seria de 24,2%. “É a população de baixa renda que mais investe em educação, porque 10% do salário de quem ganha 10 mil reais representa metade do salário de quem ganha 2 mil. Logo, se esta família de baixa renda tem um filho na universidade e precisa pagar mil reais mensais, é ela que mais investe em educação”.

Após a palestra, foram feitos questionamentos diversos. Entre eles, sobre as saídas que a Andifes tem planejado para tentar reverter o atual quadro da educação no país. Ele falou da importância do trabalho de mobilização no Brasil, para ganhar força, e acredita que há possibilidade de superação do atual quadro, levando em conta o que a universidade representa no meio social.

A reitora Raimunda Monteiro fez a mediação da palestra e agradeceu a riqueza de dados apresentados na ocasião, o que proporcionou à plateia uma macrovisão do funcionamento de uma universidade pública no país.

Albanira Coelho – Comunicação/Ufopa

9/11/2017