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Universidade Federal do Oeste do Pará

Carta do reitor à Comunidade Acadêmica


1 de Julho de 2020 às 15:24

CARTA À COMUNIDADE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ

Santarém, 1º de julho de 2020.

Completamos 100 dias com nossas atividades presenciais suspensas. Um período turbulento e cheio de ansiedades para todos nós e nossas famílias. Mas conseguimos, como Instituição, transmitir esperança para muitas pessoas, realizando centenas de atendimentos e acolhimentos diversos da comunidade acadêmica, terceirizados, profissionais de saúde e sociedade local de cidades de nossa região, mesmo trabalhando de casa, às vezes com pessoas amadas que precisam de atenção, misturando com tarefas domésticas, muitas vezes pelo celular, com uma internet limitada. Deixo aqui minha gratidão e reconhecimento pela dedicação e compromisso empenhados por vocês nesse momento crítico.

Temos feito muitas reuniões de planejamento. Ainda teremos muitas mais, dada a complexidade do momento. Conseguimos manter um espaço de diálogo sempre aberto, com a comunidade sendo chamada para contribuir. Todas as deliberações, no âmbito da pandemia até este momento, têm sido coletivas e precisam continuar sendo.

Construindo um replanejamento institucional integrado, entendo que está na hora de apresentarmos uma proposta de retomada de nosso calendário acadêmico para nossas comunidades interna e externa. Não poderemos voltar às atividades presenciais do modo como fazíamos antes da pandemia. Precisamos de propostas. Precisamos de datas. Ainda que sejam flexíveis por conta de um cenário altamente inconstante, precisamos defini-las e começar a preparar tudo o que for necessário para atender a todos os nossos servidores e estudantes.

É nossa responsabilidade garantir um ambiente com biossegurança, com a devida capacitação de nossos servidores em áreas específicas, com os apoios estudantis adequados para cada realidade, para termos espaços formativos que continuem gerando oportunidades. Não existe solução única e homogênea. Precisaremos construir respostas específicas para cada necessidade que se apresenta.

A sala de aula que deixamos em março não existe mais, por isso não podemos voltar para o que era antes. E, em diversos aspectos, não queremos voltar para o que era antes.

Quais são os caminhos então?

Há uma necessidade primeira de continuarmos o processo de inclusão, e não aprofundarmos as exclusões, principalmente de nossos estudantes das comunidades, especialmente de indígenas, quilombolas e PcD.

Observo que nosso sistema de ensino, no cenário pré-pandemia, não somente na Ufopa, continua excludente, precisando de melhorias em diversas dimensões, apesar dos esforços e avanços institucionais. E o não agravamento dessas exclusões, assim como a busca por qualidade de ensino, deve ser a maior prioridade institucional.

Com o semestre letivo da Ufopa oficialmente suspenso, infelizmente agravamos a falta de oportunidades para nossos alunos, principalmente para os que não possuem computadores, acesso à internet e/ou domínio no uso de ferramentas digitais. Por isso, considero imperioso que um novo semestre letivo da Ufopa seja retomado. E não há nenhuma condição de que seja retomado da forma que sempre o concebemos, no que tange à organização didática, uso de tecnologias, carga horária, paradigma curricular e muito mais.

Não podemos contar com nenhuma metodologia que necessite de internet, pois, mesmo quem possui acesso, não tem com qualidade.

Apesar de não ser uma opção para nossos cursos de graduação atuais, mas sim para novos cursos em determinadas condições, o ensino a distância é mais uma ferramenta para criar oportunidades. Preocupa-me, contudo, a associação, frequentemente feita com a falta de qualidade de ensino. A UFPA formou centenas de profissionais com cursos a distância na nossa região há mais de 10 anos. Na experiência do curso de licenciatura em Matemática a distância, da qual tive oportunidade de ser coordenador, com polos em Oriximiná, Curuá, Juruti e Santarém, sem utilização de internet, tivemos vivências enriquecedoras. Infelizmente, a Ufopa não deu continuidade a essa ação. Mas podemos aprender com a logística dessa experiência.

Já dispomos de alguns diagnósticos, levantados pelas Unidades, e devemos ir atrás de ainda mais informações, mas considero que já temos o suficiente para tomada de decisão. Nosso cenário, em termos de acesso digital, é abaixo da média nacional e paraense. Nossa falta de experiência institucional com atividades remotas é mais um argumento para começarmos imediatamente. Em nossa realidade única, ainda que aprendamos com outras realidades, precisaremos aprender no fazer. Há vários de nossos docentes que podem nos ensinar por já fazerem. E teremos de inventar, improvisar, criar, errar, consertar e incluir. Foi assim que ajudamos a democratizar o acesso à educação superior na Amazônia, desde os programas de interiorização da UFPA até os cursos que gerenciamos pelo Parfor. Quem participou sabe o quanto foi difícil!

Dentro de um dos eixos do replanejamento estratégico institucional, foi construída uma proposta, com o apoio dos diretores das Unidades Acadêmicas, para um Período Letivo Especial (PLE), que deve ocorrer nos meses de agosto e setembro. A minuta do PLE aponta para diversas possibilidades de organização, abrindo espaço para, na sua autonomia, os docentes criarem oportunidades educativas que permitam o alcance dos objetivos de aprendizagem previstos nos projetos pedagógicos dos cursos. Há também uma minuta de edital de apoio estudantil para  contratação de serviço de internet para esse período. Está sendo estudada também a ampliação desse apoio por meio de um edital para aquisição de dispositivos móveis.

Reforço a necessidade de olharmos a formação de nossos alunos do ponto de vista mais abrangente possível. Por exemplo, acredito que uma disciplina chamada “Inteligência Emocional” não exista em nenhum de nossos PPCs. Se tivermos um de nossos docentes que possa oferecê-la agora, de forma remota (ou híbrida), não deveria fazê-lo? Afirmo que sim. E isto deve contar na carga horária do professor e do aluno. E talvez até do servidor que se matricule para cursar a disciplina. Podemos pensar em outras formas de organização didática que não seja disciplinar ou modular? Devemos! Podemos ter mais de um professor na mesma atividade, responsável por públicos específicos? Precisaremos! Vamos ofertar bem menos carga horária por semestre? Certamente!

Nossos alunos podem assistir à atividade presencial de sala de aula sem estar nela? Sim. Se estiverem no campus, podemos utilizar a intranet da Universidade, sem necessidade de internet, para ampliarmos o espaço da sala de aula.

Precisamos de uma equipe para produção multimídia para ajudar os professores na elaboração dos materiais didáticos. Isto precisa ser licitado com a orientação de nossas equipes técnicas e acadêmicas. Urgente!

O PLE, com ou sem uso de internet, para atender principalmente aos concluintes e abrir um espaço de aprendizagem para docentes e alunos é fundamental, inclusive para levantarmos as informações para capacitação, compra de equipamentos e realização de demais ações de que precisamos para a retomada do semestre letivo.

Precisamos levar o material de estudo para os alunos que podem estudar fora do campus. Precisamos deixar seguro o espaço para aqueles que precisarão vir para a Universidade. Seguiremos as orientações técnicas de biossegurança, atendendo às orientações e sugestões do nosso Comitê Permanente de Crise para Prevenção e Combate ao Coronavírus (Covid-19).

As colações de grau e defesas de TCC precisam ser retomadas imediatamente de forma remota.

Tudo isso só vai funcionar se as ações relacionadas à saúde mental de servidores e de alunos forem delineadas. Nesses aspectos, as equipes da Progep e da Proges ajudarão a buscar os caminhos.

Um outro tanto devo escrever para falar sobre os desafios relacionados ao trabalho administrativo, no qual estão envolvidos principalmente nossos técnicos administrativos. Foi preparada uma minuta para regulamentar as novas condições e flexibilidade do trabalho administrativo, que começaremos a discutir com a comunidade.

Os caminhos de que precisamos estão sendo construído neste momento pela gestão superior, pelos diretores de institutos, campi, coordenadores de curso, discentes, técnicos, docentes, técnicos, representações de classes. Amanhã, 2/7, apresentaremos o que foi construído até o momento do replanejamento estratégico institucional, para apreciação dos Conselhos Superiores. Nossas reuniões têm sido transmitidas pelo canal da Universidade no YouTube.

Vivemos um momento difícil, com muitas perdas. Teremos de encontrar forças uns com os outros para prosseguir. Sempre.

Atenciosamente,

HUGO ALEX CARNEIRO DINIZ

Reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará

 

(Carta disponível AQUI em PDF.)

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