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Universidade Federal do Oeste do Pará

Ultima atualização em 27 de Outubro de 2020 às 20:51

Com trabalhadores rurais, Ufopa desenvolve zoneamento participativo da agricultura familiar na região de Santarém


Entender as perspectivas da agricultura familiar frente à expansão do agronegócio no Oeste do Pará é o tema de um estudo que vem sendo desenvolvido por uma rede de pesquisadores nacionais e internacionais e que conta com a participação da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A primeira etapa do trabalho resultou na elaboração do Zoneamento Participativo da Agricultura Familiar no Planalto Santareno, que incluiu lideranças e membros dos sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos.

Essa etapa é parte de uma iniciativa que busca estabelecer o Observatório das Dinâmicas Socioambientais na Amazônia, sustentado por duas redes interligadas, uma com financiamento europeu, denominada Odysseia, e o projeto brasileiro INCT Odisseia, financiado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Dentre os cinco sítios de pesquisa instalados na Amazônia brasileira, a experiência na região de Santarém é um piloto de observatório coconstruído em parceria com atores locais que vem sendo desenvolvida desde 2016.

“Um dos pontos altos dessa pesquisa é que ela foi totalmente participativa desde suas etapas iniciais. Realizamos várias reuniões com as lideranças e os associados dos sindicatos dos três municípios para realizar o zoneamento, estabelecendo em conjunto desde os eixos de investigação que mais interessavam aos agricultores até as perguntas que compuseram os questionários aplicados com mais de 500 famílias na região”, explica João Paulo de Cortes, professor da Ufopa e responsável pelo trabalho na universidade.

 

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Com a participação de pesquisadores e agricultores familiares, os grupos de trabalho se reuniam para definir
os eixos de investigação da pesquisa. Foto: Acervo de João Paulo de Cortes. 

 

O mapeamento engloba elementos indicativos da realidade das comunidades no Planalto Santareno em relação ao avanço do agronegócio. As zonas, que são conjuntos de comunidades, foram definidas pelos próprios agricultores e posteriormente classificadas em relação à situação da agricultura familiar. As situações observadas variam desde comunidades que foram extintas, em zonas sujeitas à elevada pressão pelo agronegócio, até zonas onde a agricultura familiar se mostra mais organizada, com bons níveis de produtividade e com experiências inovadoras, que incluem a produção de orgânicos ou a organização em arranjos produtivos, como no caso dos polos em Mojuí dos Campos.

“Estamos identificando como as interações entre agricultura familiar e agronegócio acontecem e quais os principais processos envolvidos, com base nos temas-chaves propostos pelos sindicatos, que foram produção agroecológica, impactos dos agrotóxicos e arranjo fundiário”, detalha Cortes. “O zoneamento pode servir como recorte espacial para inúmeras pesquisas, para entendermos melhor como está sendo a dinâmica de avanço do agronegócio. Quem quiser trabalhar com exemplos bem-sucedidos de agricultura familiar pode utilizar o zoneamento para saber onde estão as comunidades que têm esse tipo de produção fortalecida; ou, se quiser trabalhar com impactos de agrotóxicos ou conflitos agrários, pode focar nas zonas que definimos como tendo o agronegócio mais avançado”, exemplifica o docente.

 

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O mapa do zoneamento identifica área de avanço do agronegócio (sigla AN) e áreas de predominância da agricultura familiar (AF).

 

O artigo intitulado "Quais as perspectivas da agricultura familiar em um contexto de expansão do agronegócio? Zoneamento participativo com representantes comunitários do Planalto Santareno" foi publicado na revista franco-brasileira de Geografia Confins, em edição especial que contém um dossiê acerca da Expansão do Agronegócio no Brasil. A produção do artigo foi liderada pelo professor do curso de Gestão Ambiental da Ufopa e parceiro dos projetos Odyssea e INCT Odisseia, João Paulo de Cortes, em colaboração com pesquisadores do Centro de Pesquisa Agrícola Francês, da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Confira o vídeo sobre o estudo:

 

 

Renata Dantas – Comunicação/Ufopa 

26/10/2020

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