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Universidade Federal do Oeste do Pará

Ultima atualização em 28 de Maio de 2019 às 15:09

Pesquisa busca identificar substâncias em cumaru para uso no controle alternativo de doenças em plantas


Espécie conhecida como Dipteryx punctata (cumaru-amarelo) está sendo estudada desde 2017 na região de Mojuí dos Campos.

O gênero Dipteryx (cumaru) abriga nove espécies, das quais quatro podem ser encontradas na Amazônia. No estado do Pará foram relatadas três espécies: Dipteryx odorata, Dipteryx magnifica e Dipteryx punctata. Os cumaruzeiros podem ser utilizados para exploração de madeira, recuperação de áreas degradadas, obtenção de cumarina das sementes para a indústria de perfumaria, como fixadora de essências, e atualmente, na culinária. As sementes têm aroma e sabor fortes que lembram a baunilha.   

Chegar ao final de quatro anos de muitos estudos e identificar substâncias que apresentem potencialidades para uso no controle alternativo de doenças em plantas é o objetivo da bióloga Bruna Cristine Martins de Sousa, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Ufopa.

O tema da pesquisa é “Caracterização química e atividades biológicas de extratos e óleo de cumaru-amarelo”. A pesquisa, além de trabalhar com extratos de folhas, galhos e sementes e óleo de sementes, tem como diferencial, também, avaliar os resíduos dos frutos (epicarpo, mesocarpo e endocarpo), que são descartados após a coleta das sementes.

A doutoranda Bruna Martins explica que “o estudo visa analisar a composição química dos extratos e óleo de cumaru-amarelo, fracionar e purificar as substâncias presentes nesses produtos, bem como realizar testes biológicos direcionados, principalmente, à atividade antifúngica”.

A bióloga iniciou o doutorado em 2017 e, a partir de fevereiro de 2018, começou a pesquisa para sua tese, em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), escritórios de Santarém e de Mojuí dos Campos, região produtora de sementes de cumaru. “Durante este primeiro período dos estudos, foram realizadas visitas, entrevistas e coleta de material vegetal para identificação das espécies nas áreas e extrações. A espécie identificada nas amostras coletadas foi a Dipteryx punctata, ainda pouco pesquisada e conhecida na Amazônia”. 

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Processo de coleta da semente do Cumaru. Foto: Arquivo.

 

Em Mojuí estão sendo acompanhadas cinco propriedades, em plantios com um a dois hectares de cumaru consorciado com frutíferas. A frutificação do cumaru ocorre a partir de oito anos de idade, quando em condições adequadas para o seu desenvolvimento. Cada árvore produz em média cinco quilos de sementes, anualmente. Portanto, do plantio de 120, em cada propriedade, a produção média é de aproximadamente 600 quilos de sementes por safra.

De acordo com a doutoranda, o quilo da semente está sendo comercializado a R$ 30,00. “Essas sementes são selecionadas e vendidas tanto para o mercado nacional como internacional por terceiros, e é na fase de retirada das sementes dos frutos que é gerada a matéria-prima utilizada na pesquisa que estamos desenvolvendo, material que seria descartado. Para cada cinco quilos de sementes são gerados aproximadamente 50 quilos de resíduos”.

Bruna Martins diz ainda que a atividade antifúngica será avaliada com fitopatógenos presentes nas propriedades estudadas, a fim de se encontrar alternativas para o controle das doenças das plantas cultivadas por esses agricultores, especialmente. “Atividades antibacteriana, antioxidante, antiproliferativa, anti-inflamatória, antiviral, larvicida e a toxicidade dos extratos e óleo poderão ser avaliados até a conclusão da tese”.

Para o orientador, professor Thiago Almeida Vieira, doutor em Ciências Agrárias, “este trabalho pode dar um grande retorno à agricultura, apresentando uma alternativa sustentável para o controle de doenças em plantas cultivadas na Amazônia, possibilitando ainda que o agricultor aproveite o material que seria descartado. Isto pode ser uma alternativa limpa que proporcione diminuição de custos para o agricultor”.

Para a coorientadora da tese, a professora Denise Castro Lustosa, doutora em Fitopatologia, “não temos dúvidas que seria muito importante e interessante encontrarmos substâncias com atividade antifúngica a partir de um resíduo. O avanço nessa pesquisa aumenta a possibilidade da obtenção futura de um produto alternativo para o controle de doenças em plantas, principalmente para uso pelo pequeno produtor. No entanto, antes de chegar a um produto, muitos testes precisam ser realizados. Os resultados promissores em condições de laboratório servem como indícios da potencialidade das substâncias encontradas até o momento. Mas esse efeito precisa ser comprovado em campo, uma vez que as condições podem diferir do ambiente controlado, como ocorre em laboratório”. 

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Pesquisa, em laboratório, dos conteúdos extraídos da planta. Foto: Arquivo.

 

Processo histórico - O estudo do gênero Dipteryx teve início no mestrado, desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa, em 2015 e 2016. Foram realizadas a comparação química e as atividades antimicrobianas dos extratos das folhas, galhos e frutos e do óleo das sementes de duas espécies, identificadas botanicamente como Dipteryx odorata e Dipteryx magnifica.

Este estudo teve a orientação do Dr. Lauro Euclides Soares Barata e coorientação da Profa. Dra. Denise Castro Lustosa e contou com a parceria do Herbário e laboratórios da Ufopa como P&DBio, Sementes Florestais e Fitopatologia; Divisão de Microbiologia e Química Orgânica e Farmacêutica do CPQBA da Universidade de Campinas (Unicamp); e do Prof. Dr. Domingos Benício Oliveira Silva Cardoso, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O projeto de doutorado iniciou-se em 2017, sob orientação do professor Dr. Lauro Euclides Soares Barata e atualmente encontra-se vinculado aos professores Dr. Thiago Almeida Vieira (orientador) e Dra. Denise Castro Lustosa (coorientadora).

Parcerias – Neste trabalho foram firmadas parcerias envolvendo a Emater, órgão que destina o servidor Daniel do Amaral Gomes para fazer o acompanhamento da doutoranda nas áreas em Mojuí; Dr. Domingos Cardoso (UFBA), responsável pela identificação da espécie alvo do estudo; Herbário da Ufopa, sob responsabilidade da Dra. Thais Elias Almeida (Instituto de Ciências da Educação - Iced) e Dr. Leandro Lacerda Giacomin (Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas - ICTA), que orientaram no processo de deposição e envio de amostras para identificação botânica; viveiro da Ufopa, coordenado pelo servidor Antônio de Sousa Pereira (Instituto de Biodiversidade e Florestas - Ibef), onde foi realizada a triagem dos frutos; Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Naturais Bioativos (P&DBio), coordenado pela Profa. Dra. Kelly Christina Ferreira Castro (Ibef), onde foram realizadas as extrações e análises químicas preliminares; e Laboratório de Farmacognosia e Fitoquímica, coordenado pelo Prof. Dr. Bruno Alexandre da Silva (Instituto de Saúde Coletiva - Isco), onde foi realizada a atividade antioxidante dos extratos e do óleo.

Próxima fase – Após a análise química e testes biológicos com os extratos e óleo do cumaru-amarelo, serão realizados os fracionamentos e purificações das substâncias para novos testes. “O trabalho é árduo e demorado. Mas os resultados preliminares promissores nos motivam a continuar as pesquisas com as espécies de cumaru”.

Assim que concluir o doutorado, Bruna Martins realizará uma roda de conversa com os produtores, e projeta o lançamento de uma cartilha didática contendo informações técnicas sobre as espécies e alguns resultados encontrados na pesquisa, considerados úteis aos agricultores e público em geral. O prazo para a conclusão do doutorado é fevereiro de 2021.

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A doutoranda Bruna Martins. Foto: Albanira Coelho.

 

Albanira Coelho – Comunicação/Ufopa

27/5/2019

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