Desculpe, o seu navegador não suporta JavaScript!
Buscar somente nesse site.

Universidade Federal do Oeste do Pará

Pesquisa busca identificar substâncias em cumaru para uso no controle alternativo de doenças em plantas


27 de Maio de 2019 às 17:53

Espécie conhecida como Dipteryx punctata (cumaru-amarelo) está sendo estudada desde 2017 na região de Mojuí dos Campos.

O gênero Dipteryx (cumaru) abriga nove espécies, das quais quatro podem ser encontradas na Amazônia. No estado do Pará foram relatadas três espécies: Dipteryx odorata, Dipteryx magnifica e Dipteryx punctata. Os cumaruzeiros podem ser utilizados para exploração de madeira, recuperação de áreas degradadas, obtenção de cumarina das sementes para a indústria de perfumaria, como fixadora de essências, e atualmente, na culinária. As sementes têm aroma e sabor fortes que lembram a baunilha.   

Chegar ao final de quatro anos de muitos estudos e identificar substâncias que apresentem potencialidades para uso no controle alternativo de doenças em plantas é o objetivo da bióloga Bruna Cristine Martins de Sousa, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Ufopa.

O tema da pesquisa é “Caracterização química e atividades biológicas de extratos e óleo de cumaru-amarelo”. A pesquisa, além de trabalhar com extratos de folhas, galhos e sementes e óleo de sementes, tem como diferencial, também, avaliar os resíduos dos frutos (epicarpo, mesocarpo e endocarpo), que são descartados após a coleta das sementes.

A doutoranda Bruna Martins explica que “o estudo visa analisar a composição química dos extratos e óleo de cumaru-amarelo, fracionar e purificar as substâncias presentes nesses produtos, bem como realizar testes biológicos direcionados, principalmente, à atividade antifúngica”.

A bióloga iniciou o doutorado em 2017 e, a partir de fevereiro de 2018, começou a pesquisa para sua tese, em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), escritórios de Santarém e de Mojuí dos Campos, região produtora de sementes de cumaru. “Durante este primeiro período dos estudos, foram realizadas visitas, entrevistas e coleta de material vegetal para identificação das espécies nas áreas e extrações. A espécie identificada nas amostras coletadas foi a Dipteryx punctata, ainda pouco pesquisada e conhecida na Amazônia”. 

/media/file/site/ufopa/imagens/2019/89a824282b72a6be6a208d4ef59a8baf.jpg
Processo de coleta da semente do Cumaru. Foto: Arquivo.

 

Em Mojuí estão sendo acompanhadas cinco propriedades, em plantios com um a dois hectares de cumaru consorciado com frutíferas. A frutificação do cumaru ocorre a partir de oito anos de idade, quando em condições adequadas para o seu desenvolvimento. Cada árvore produz em média cinco quilos de sementes, anualmente. Portanto, do plantio de 120, em cada propriedade, a produção média é de aproximadamente 600 quilos de sementes por safra.

De acordo com a doutoranda, o quilo da semente está sendo comercializado a R$ 30,00. “Essas sementes são selecionadas e vendidas tanto para o mercado nacional como internacional por terceiros, e é na fase de retirada das sementes dos frutos que é gerada a matéria-prima utilizada na pesquisa que estamos desenvolvendo, material que seria descartado. Para cada cinco quilos de sementes são gerados aproximadamente 50 quilos de resíduos”.

Bruna Martins diz ainda que a atividade antifúngica será avaliada com fitopatógenos presentes nas propriedades estudadas, a fim de se encontrar alternativas para o controle das doenças das plantas cultivadas por esses agricultores, especialmente. “Atividades antibacteriana, antioxidante, antiproliferativa, anti-inflamatória, antiviral, larvicida e a toxicidade dos extratos e óleo poderão ser avaliados até a conclusão da tese”.

Para o orientador, professor Thiago Almeida Vieira, doutor em Ciências Agrárias, “este trabalho pode dar um grande retorno à agricultura, apresentando uma alternativa sustentável para o controle de doenças em plantas cultivadas na Amazônia, possibilitando ainda que o agricultor aproveite o material que seria descartado. Isto pode ser uma alternativa limpa que proporcione diminuição de custos para o agricultor”.

Para a coorientadora da tese, a professora Denise Castro Lustosa, doutora em Fitopatologia, “não temos dúvidas que seria muito importante e interessante encontrarmos substâncias com atividade antifúngica a partir de um resíduo. O avanço nessa pesquisa aumenta a possibilidade da obtenção futura de um produto alternativo para o controle de doenças em plantas, principalmente para uso pelo pequeno produtor. No entanto, antes de chegar a um produto, muitos testes precisam ser realizados. Os resultados promissores em condições de laboratório servem como indícios da potencialidade das substâncias encontradas até o momento. Mas esse efeito precisa ser comprovado em campo, uma vez que as condições podem diferir do ambiente controlado, como ocorre em laboratório”. 

/media/file/site/ufopa/imagens/2019/75ada7c6bab703831004b0a8e4a6d00a.jpg
Pesquisa, em laboratório, dos conteúdos extraídos da planta. Foto: Arquivo.

 

Processo histórico - O estudo do gênero Dipteryx teve início no mestrado, desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa, em 2015 e 2016. Foram realizadas a comparação química e as atividades antimicrobianas dos extratos das folhas, galhos e frutos e do óleo das sementes de duas espécies, identificadas botanicamente como Dipteryx odorata e Dipteryx magnifica.

Este estudo teve a orientação do Dr. Lauro Euclides Soares Barata e coorientação da Profa. Dra. Denise Castro Lustosa e contou com a parceria do Herbário e laboratórios da Ufopa como P&DBio, Sementes Florestais e Fitopatologia; Divisão de Microbiologia e Química Orgânica e Farmacêutica do CPQBA da Universidade de Campinas (Unicamp); e do Prof. Dr. Domingos Benício Oliveira Silva Cardoso, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O projeto de doutorado iniciou-se em 2017, sob orientação do professor Dr. Lauro Euclides Soares Barata e atualmente encontra-se vinculado aos professores Dr. Thiago Almeida Vieira (orientador) e Dra. Denise Castro Lustosa (coorientadora).

Parcerias – Neste trabalho foram firmadas parcerias envolvendo a Emater, órgão que destina o servidor Daniel do Amaral Gomes para fazer o acompanhamento da doutoranda nas áreas em Mojuí; Dr. Domingos Cardoso (UFBA), responsável pela identificação da espécie alvo do estudo; Herbário da Ufopa, sob responsabilidade da Dra. Thais Elias Almeida (Instituto de Ciências da Educação - Iced) e Dr. Leandro Lacerda Giacomin (Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas - ICTA), que orientaram no processo de deposição e envio de amostras para identificação botânica; viveiro da Ufopa, coordenado pelo servidor Antônio de Sousa Pereira (Instituto de Biodiversidade e Florestas - Ibef), onde foi realizada a triagem dos frutos; Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Naturais Bioativos (P&DBio), coordenado pela Profa. Dra. Kelly Christina Ferreira Castro (Ibef), onde foram realizadas as extrações e análises químicas preliminares; e Laboratório de Farmacognosia e Fitoquímica, coordenado pelo Prof. Dr. Bruno Alexandre da Silva (Instituto de Saúde Coletiva - Isco), onde foi realizada a atividade antioxidante dos extratos e do óleo.

Próxima fase – Após a análise química e testes biológicos com os extratos e óleo do cumaru-amarelo, serão realizados os fracionamentos e purificações das substâncias para novos testes. “O trabalho é árduo e demorado. Mas os resultados preliminares promissores nos motivam a continuar as pesquisas com as espécies de cumaru”.

Assim que concluir o doutorado, Bruna Martins realizará uma roda de conversa com os produtores, e projeta o lançamento de uma cartilha didática contendo informações técnicas sobre as espécies e alguns resultados encontrados na pesquisa, considerados úteis aos agricultores e público em geral. O prazo para a conclusão do doutorado é fevereiro de 2021.

/media/file/site/ufopa/imagens/2019/67cd22093ce0517aad1b199a455dfac7.jpg
A doutoranda Bruna Martins. Foto: Albanira Coelho.

 

Albanira Coelho – Comunicação/Ufopa

27/5/2019

Notícia em destaque