Ultima atualização em 22 de Abril de 2026 às 15:59
“Vivências na Amazônia” une ensino, extensão e atendimento à população.
Uma expedição realizada pela Unidade de Saúde Fluvial Abaré, do curso de Medicina da Ufopa, uniu alunos de Santarém e da Escola Multicampi de Ciências Médicas (EMCM) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Eles se juntaram nas atividades do projeto “Vivências na Amazônia” (VAM), inspirado no Vivências Integradas na Comunidade (VIC) do curso de Medicina do Campus Caicó da UFRN, recentemente avaliado com nota máxima pelo MEC e um dos primeiros instalados fora de um grande centro, há 12 anos.
A experiência vivida a bordo da unidade de saúde Abaré conecta a formação médica às realidades da Amazônia, aliando ensino, extensão e compromisso social. Durante a expedição, estudantes, professores e gestores das duas instituições vivenciaram, junto a moradores, o impacto do projeto, tanto na formação acadêmica quanto no acesso das comunidades à saúde.
A vice-diretora da EMCM, Liliane Pereira Braga, destacou a relevância da parceria e os resultados alcançados. Segundo ela, o curso de Medicina de Caicó “vem sendo muito bem avaliado”, e a troca com a Ufopa tem gerado novas perspectivas. “Estou bastante impressionada com a experiência do Abaré: com o território, com o acolhimento, com a equipe, com a mobilização, com a estrutura”, afirmou. Liliane acrescentou que “estamos tendo muitas ideias para que essa parceria seja sustentável ao longo dos anos, e novas propostas já estão sendo planejadas”.
O pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Proplan) da Ufopa, Cauan Ferreira Araújo, destacou que “nessa experiência os alunos têm a possibilidade de serem preparados para o seu território, vivenciar o momento e refletir sobre ele e, com isso, se tornar um médico melhor para a sua região”. Ele também ressaltou “o aprendizado em termos de gestão administrativa sobre aspectos práticos da embarcação” e reforçou “a importância das parcerias externas para o funcionamento do Abaré, como, por exemplo, da Secretaria Municipal de Saúde de Santarém”, além da “possibilidade de realização de atividade de extensão para o curso de Medicina da Ufopa, que está em seu 3.º semestre”.
O coordenador do curso de Medicina da Ufopa, Rodrigo Alexandre da Cunha Rodrigues, explicou que a expedição integra o componente curricular “Vivências na Amazônia”, no qual os estudantes terão contato direto com as comunidades. Segundo ele, trata-se de “uma estratégia que procura imergir os alunos, desde o início do curso, nos territórios, na rede de atenção à saúde, no Sistema Único de Saúde”, permitindo que compreendam “todo o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não só isso, isso serve também para que eles entendam as necessidades de cada um dos territórios”. Rodrigues destacou ainda que a iniciativa foi inspirada em uma experiência exitosa da Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN e adaptada à realidade amazônica, fortalecida pela parceria entre as instituições.
A vivência é apontada pelos estudantes como essencial para a formação. O acadêmico do terceiro semestre do curso de Medicina da Ufopa, Ian da Silva Portela, relatou que, em sua segunda participação na expedição, passou a compreender melhor o propósito da experiência. “Hoje eu entendo que o foco não é em mim, mas sim no impacto que a gente gera nessas comunidades”, afirmou. Para ele, a vivência é essencial para entender como funciona o território e possibilita que o estudante conheça “como funciona a rotina de serviço na comunidade”, contribuindo para uma inserção profissional muito mais concisa.
Representando o reitor da UFRN, Daniel Diniz, o pró-reitor adjunto de Extensão, Edvaldo Vasconcelos, enfatizou a qualidade da formação proporcionada pela experiência. Ele observou a importância da “imersão muito profunda dos nossos alunos em um território que não é tão comum como o nosso” e ressaltou “a qualidade do processo de formação” nessa troca de experiências. Para Edvaldo, a vivência evidencia “a prática da curricularização da extensão, que nada mais é do que aquilo que se aprende em sala de aula sendo exercitado, sendo praticado na comunidade”. Ao avaliar a iniciativa, afirmou que “a Ufopa está no caminho certo e vem desenvolvendo o trabalho com uma qualidade excepcional”.
A vivência também impacta diretamente quem recebe atendimento. Moradora atendida na ação, Emily Xavier relatou que buscou assistência para a filha e também se submeteu a um procedimento. “Eu estava com medo, mas foi tranquilo, estou me sentindo muito bem”, contou. Para ela, a presença do Abaré na comunidade faz diferença: “É muito importante receber esses atendimentos aqui na comunidade, pois temos dificuldade para ir até a cidade”.
A experiência de Emily dialoga com a percepção da estudante Alice Bezerra, da UFRN, que definiu a vivência como transformadora. “O que a Ufopa faz por meio do Abaré é revolucionário: ofertar saúde para as pessoas que têm dificuldade de acesso”, afirmou. Alice destacou ainda que “o Abaré está trazendo dignidade de saúde, um direito das pessoas” e que a experiência “transforma não só a gente como profissional, mas como pessoa também”, reforçando a necessidade de “um olhar atento” às diversas realidades do país.
Mateus Rêgo, que está em regime de internato (atividades hospitalares) do curso de Medicina de Caicó, fez um relato emocionado após participar da experiência: “Eu precisei vir à Amazônia para valorizar os saberes locais do sertão do Rio Grande do Norte. Nas Vivências na Amazônia da Ufopa, eu entendi a importância que as Vivências Integradas na Comunidade (VIC) da EMCM têm na formação de um médico humanista capacitado para trabalhar no interior do estado”.
Lenne Santos – Ascom/Ufopa
22/04/2026