Ultima atualização em 16 de Junho de 2026 às 17:26
Pesquisa publicada em periódico internacional destaca a influência das condições socioeconômicas e ambientais na ocorrência de acidentes com serpentes na Amazônia.
Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) foi publicado na revista científica Tropical Medicine & International Health, uma das principais publicações internacionais da área de medicina tropical e saúde global. A pesquisa investigou como fatores climáticos e sociais influenciam a incidência de acidentes ofídicos no estado do Pará, que registra o maior número absoluto de casos desse tipo de agravo no Brasil.
Intitulado “Climatic and Social Drivers of Snakebite Incidence in Pará State, Brazilian Amazon”, o artigo analisou dados epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos referentes ao período de 2007 a 2023. O objetivo foi compreender de que forma variáveis como precipitação, níveis dos rios, fenômenos climáticos de grande escala e indicadores sociais estão relacionadas à distribuição temporal e espacial dos acidentes com serpentes na Amazônia.
O primeiro autor do trabalho é o pesquisador Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, egresso do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA), do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG) da Ufopa. O estudo foi realizado sob orientação da professora doutora Ana Carla dos Santos Gomes, do IEG, e coorientação do professor doutor Joacir Stolarz-de-Oliveira, do Instituto de Ciências da Educação (Iced). Também assina a publicação o pesquisador Samuel Campos Gomides, do Campus Oriximiná da Ufopa.
Principais resultados
A pesquisa identificou que os acidentes ofídicos estão fortemente associados a indicadores de vulnerabilidade social, sendo mais frequentes em municípios com maior percentual de população rural, maiores taxas de analfabetismo e menores condições de saneamento básico. Os resultados também evidenciaram a influência de fatores ambientais, especialmente os regimes de chuva e as variações dos níveis dos rios, sobre a dinâmica dos acidentes.
Ao todo, foram analisados mais de 87 mil casos registrados no estado do Pará ao longo de 17 anos. O estudo revelou ainda que os acidentes apresentam um padrão sazonal bem definido, com maior incidência durante o primeiro semestre do ano, período que coincide com a estação mais chuvosa em grande parte da Amazônia.
Segundo a professora Ana Carla Gomes, os resultados do estudo oferecem subsídios importantes para o planejamento de ações de prevenção e vigilância em saúde, especialmente em municípios com alta incidência de acidentes. “A pesquisa contribui para aprimorar a distribuição de soros antiofídicos, fortalecer ações de educação em saúde e qualificar a assistência às populações mais vulneráveis da Amazônia. Além disso, evidencia a importância de considerar fatores ambientais e sociais na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento desse problema de saúde pública”, afirma.
Para a docente, a publicação também representa mais uma contribuição do PPGRNA e do IEG para a produção de conhecimento científico voltado aos desafios socioambientais da Amazônia: “O trabalho evidencia o papel da pós-graduação da Ufopa na formação de pesquisadores capazes de desenvolver estudos de relevância regional e internacional, fortalecendo a inserção da universidade em redes globais de pesquisa”.
Confira:
Artigo: “Climatic and Social Drivers of Snakebite Incidence in Pará State, Brazilian Amazon”
Autores: Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, Samuel Campos Gomides, Joacir Stolarz-de-Oliveira e Ana Carla dos Santos Gomes
Referência: Rocha, J. E. C.; Gomides, S. C.; Stolarz-de-Oliveira, J.; Gomes, A. C. S. Climatic and Social Drivers of Snakebite Incidence in Pará State, Brazilian Amazon. Tropical Medicine & International Health, 2026.
Ascom/Ufopa, com informações da professora Ana Carla Gomes
16/06/2026
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