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Universidade Federal do Oeste do Pará

Ultima atualização em 28 de Janeiro de 2026 às 19:33

Painel sobre mudanças climáticas na Amazônia encerra Pré-COP30 na Ufopa


Evento reuniu representantes de populações tradicionais e sociedade civil, além de professores e estudantes, em debates sobre as emergências climáticas.

Os impactos das mudanças climáticas na Amazônia, uma das regiões mais biodiversas do planeta, foram tema do painel de encerramento da Pré-COP30 da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O evento ocorreu nos dias 28 e 29 de agosto, em Santarém (PA), em preparação à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, que ocorrerá no mês de novembro em Belém (PA).

Realizado na tarde de sexta-feira, 29, o painel contou com a participação da arqueóloga Lilian Rebellato, professora do Programa de Antropologia e de Arqueologia da Ufopa; do servidor da Fazenda Experimental da Ufopa Avner Brasileiro dos Santos Gaspar, doutor em Ciências Ambientais pelo Programa de Pós-graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Ufopa; e do representante da Universidade Federal do Pará (UFPA) no evento, professor Hervé Rogez, que há mais de 30 anos realiza pesquisas sobre o açaí. As palestras trataram dos desafios de fazer pesquisa na Amazônia diante do cenário das mudanças climáticas.

Segundo a presidente da Comissão Ufopa na COP-30, professora Ana Carla Gomes, o evento realizado pela universidade contou com mais de 1.300 participantes inscritos, além de estudantes da educação básica, sendo 180 alunos da Escola Municipal Maria Amália Queirós de Sousa e 80 da Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará Francisco Coimbra Lobato (EETEPA). “O evento foi um sucesso. Garantimos auditório cheio nos debates, palestras e apresentações, além de público na programação cultural. O estúdio de transmissão também foi muito legal, porque as pessoas que não vieram puderam acompanhar nos momentos das lives”.

Para Ana Carla Gomes, a plenária realizada na manhã da sexta-feira, 29, foi o momento mais significativo do evento. “Tivemos vários relatos importantes, com participação maciça das comunidades. Então, vamos ter um documento muito rico com as nossas falas”, afirma. Outro destaque, segundo a docente, foi a sessão com relatos de experiência, ocorrida na tarde de quinta-feira, 28.

“Tivemos três apresentações de quem já esteve em COPs anteriores. Os palestrantes puderam mostrar o que eles vivenciaram. Foi um momento muito rico para quem estava no auditório compreender o que é a conferência”, afirma. “Também tivemos duas palestras técnico-científicas com professores que trabalham com projetos vinculados ao Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil.

Painel: Os desafios de fazer pesquisa sobre a cadeia do açaí diante das mudanças climáticas foi tema da primeira palestra do painel de encerramento, ministrada pelo pesquisador Hervé Rogez, do Centro Integrado da Sociobiodiversidade da Amazônia (Cisam) da UFPA. O palestrante falou sobre as riquezas nutricionais do açaí e sobre a valoração econômica desse produto, incluindo questões de saúde pública, a partir da contribuição das pesquisas realizadas na UFPA. “O açaí era desconhecido no mundo científico. Mas, a partir de 1996, há um aumento repentino de interesse dos cientistas para o açaí”.

O pesquisador falou ainda sobre a identidade geográfica do produto, além da inovação das tecnologias no modo de produção, impactando positivamente na dinâmica de trabalho, por exemplo, na retirada da mão de obra infantil na colheita do fruto: “Hoje temos mais de 130 mil famílias tradicionais no estuário amazônico, cuja primeira fonte de renda é o açaí. Temos que pensar que, para os ribeirinhos e os povos tradicionais que vendem o fruto, o aumento do preço do açaí permitiu a modernização desses pequenos empreendimentos agrícolas”.

O engenheiro agrônomo Avner Gaspar, servidor da Fazenda Experimental da Ufopa, ministrou a segunda palestra, em que abordou estratégias para mitigar os gases do efeito estufa na Amazônia. O pesquisador destacou as atividades que mais contribuem para esse processo, principalmente no uso da terra, como o manejo inadequado de animais e do solo.

"Os gases de efeito estufa são um dos maiores desafios da nossa geração, mas também uma oportunidade única de repensarmos como produzimos, consumimos e convivemos com a natureza. Cada ação de mitigação na agricultura, na energia, no transporte ou nos resíduos é uma semente plantada para garantir um futuro mais sustentável, justo e resiliente”.

A arqueóloga Lilian Rebellato encerrou o debate falando sobre os impactos das mudanças climáticas em comunidades tradicionais e quilombolas, destacando as pesquisas realizadas por dois egressos do Programa de Pós-Graduação Doutorado em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (SND) da Ufopa, que tiveram sua orientação.

O primeiro trabalho, de autoria de Robson Jardellys de Souza Maciel, investigou o levantamento morfobotânico de etnovariedades de mandioca em roçados situados no município de Juruti (PA). O estudo incluiu a medição da temperatura local e mostrou que a mandioca está exposta à variabilidade climática. “A mandioca, vital para a Amazônia, está sob ameaça climática real. Por isso, é urgente desenvolver e implementar estratégias de adaptação e resiliência com os agricultores”, alerta Lilian Rebellato.

O estudo também mostrou que, com o aumento das temperaturas, principalmente nos anos de 2022 e 2023, os comunitários que trabalham nas roças não conseguem mais atingir o número de horas suficientes para se dedicarem ao roçado devido ao calor.

Já o segundo trabalho, de autoria de Ronei de Lima Brelaz, tratou de roçados em comunidades quilombolas do município de Óbidos. “Dentro dessa pesquisa surgiu a questão da antropização da floresta e os efeitos disso nas erosões, nos assoreamentos e na escassez hídrica dessas comunidades”, explica.

Por fim, a pesquisadora apresentou o "Projeto Energia Limpa, Vida Sustentável", que trabalha com povos indígenas do Baixo Oiapoque, no Amapá, e da Calha Norte, no Pará, e visa à implantação de fontes energéticas alternativas, como a energia solar: “Os efeitos do aumento da temperatura já são sentidos por essas comunidades e nos seus roçados. Por isso, também trabalhamos com cadeias produtivas que possam dar possibilidade de subsistência a essas comunidades, mesmo diante dos problemas climáticos que se avistam”.

Reconhecimento na Câmara Municipal

Na última segunda-feira, 1.º de setembro, a Ufopa recebeu uma moção de aplausos da Câmara de Vereadores de Santarém pela realização do evento Pré-COP30, nos dias 28 e 29 de agosto. A autoria do pedido de reconhecimento à Ufopa foi do vereador Biga Kalahare (PT).

Representando a universidade, participaram da sessão do poder legislativo municipal a coordenadora do evento, professora Ana Carla Gomes, e o diretor de Cultura e Comunidade da Pró-Reitoria da Cultura, Comunidade e Extensão (Procce), Jefferson Dantas.

 

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Vereadores de Santarém e representantes da Ufopa.

 

Registros fotográficos: Confira registros da Pré-COP30 na Ufopa pela Assessoria de Comunicação:

 

Maria Lúcia Morais – Ascom/Ufopa
01/09/2025, atualizada em 04/09/2025

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Mesa do painel sobre os impactos das mudanças climáticas na Amazônia. Foto: Ascom/Ufopa.

Evento reuniu representantes de populações tradicionais e sociedade civil, além de professores e estudantes, em debates sobre as emergências climáticas.

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