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Universidade Federal do Oeste do Pará

Ultima atualização em 22 de Outubro de 2026 às 15:57

Projeto construído com povos indígenas conquista Prêmio Nacional de Direitos Humanos


Iniciativa da Formação Acadêmica Indígena ficou em 3º lugar na premiação do CNPq e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Os projetos de "Ação nas Aldeias", desenvolvidos pela Formação Acadêmica Indígena (FAIN) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), conquistaram o terceiro lugar na categoria Extensão em Direitos Humanos do II Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Direitos Humanos, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O resultado final foi divulgado em 19 de outubro.

A proposta é coordenada pela professora Denize de Souza Carneiro, do Instituto de Formação Interdisciplinar e Intercultural (IFII), em coautoria com Levin Akay Munduruku e Pedro Cohco Wai Wai, ex-orientandos da docente que atualmente atuam como monitores Ceanama da nova turma da FAIN. A entrega dos prêmios ocorrerá em 2 de dezembro, em Brasília, durante o III Encontro Nacional de Evidências em Direitos Humanos.

O projeto: A iniciativa surgiu de uma demanda das lideranças indígenas após a criação do Processo Seletivo Especial Indígena (PSEI), em 2013. As lideranças defendiam que os estudantes mantivessem o vínculo com suas comunidades durante a graduação, diante do receio de que os jovens “ingressassem indígenas e saíssem brancos”. Em resposta, a Ufopa criou, em 2017, a Formação Básica Indígena (FBI), posteriormente reformulada como Formação Acadêmica Indígena (FAIN).

Oferecido nos dois primeiros semestres da graduação, o programa tem nos projetos de “Ação nas Aldeias” sua principal marca. No primeiro semestre, cada estudante identifica, com lideranças, familiares e professores, um problema ou uma demanda de sua aldeia. A escolha parte do estudante e da comunidade, e não da universidade. Com orientação docente, ele elabora uma ação, como oficina, roda de conversa ou cinedebate, e a desenvolve no território durante o recesso do meio do ano, com apoio de anciãos, pajés, parteiras, professores e outros comunitários.

No segundo semestre, o estudante registra a experiência em um relato e apresenta os resultados no evento ComunicAção Indígena. Segundo a equipe do projeto, a experiência transforma a relação entre a universidade e os povos indígenas, com a Ufopa atuando como parceira de processos cuja autoria permanece com as comunidades.

Desde 2017, com interrupção apenas durante a pandemia de covid-19, foram realizados cerca de 200 projetos em aproximadamente 100 aldeias, envolvendo cerca de 20 povos indígenas do Baixo, Médio e Alto Tapajós e da região Trombetas-Mapuera. As ações beneficiaram diretamente cerca de 7 mil pessoas.

Os projetos abordam demandas das comunidades e contribuem para garantir direitos previstos na Constituição Federal e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na Terra Indígena Maró, uma anciã especialista em medicina tradicional ensinou a preparar xaropes e pomadas com plantas medicinais. Na aldeia Takuara, a mobilização comunitária pelo saneamento levou uma organização não governamental a instalar uma pequena estação de tratamento de água.

Na aldeia Aminã, estudantes Tupaiú iniciaram a elaboração de um Protocolo de Consulta próprio. Já na aldeia Karapanatuba, o projeto Kuyjuyayã imubapukap, “Histórias dos nossos ancestrais”, reuniu narrativas de anciãos Munduruku e resultou em material didático para escolas indígenas.

Parte das experiências está reunida no livro Paneiro: o protagonismo indígena na relação universidade-comunidade, publicado em 2021 e disponível no repositório institucional da Ufopa. Em 2026, mais de 20 novos projetos foram realizados nas aldeias, abordando temas como teçumes, grafismos, remédios tradicionais, protocolos de consulta e histórias das comunidades. Os trabalhos serão apresentados na VII ComunicAção Indígena, nos dias 11 e 12 de novembro de 2026.

 

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Os premiados Pedro Wai Wai e Levin Akay, orientandos de Denize Carneiro ligados ao IFII. Foto: Acervo pessoal.

 

Para os estudantes, a experiência também contribui para a permanência na graduação. “Para nós o conhecimento deve servir para defender os direitos do nosso povo e para ajudar a resolver os problemas. Nosso objetivo é coletivo, talvez por isso encontramos força para vencer dificuldades”, afirmou Sauvelina Waru Munduruku, em depoimento publicado em 2020.

A comissão julgadora do prêmio foi formada por representantes do MDHC e pesquisadores indicados pelo CNPq. A avaliação considerou o mérito científico, a relevância social e a aplicação prática das propostas em políticas públicas. Na mesma categoria, também foram premiadas iniciativas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB).

Ascom/Ufopa, com informações da pesquisadora
22/10/2026

Oficina do projeto "Ação na Aldeia" desenvolvida pelo aluno Levin Akay na aldeia em que vive. Foto: Arquivo pessoal.

Iniciativa da Formação Acadêmica Indígena ficou em 3º lugar na premiação do CNPq e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

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