Ultima atualização em 17 de Abril de 2026 às 11:21
Ação está ligada ao curso de Engenharia de Aquicultura do Campus Monte Alegre.
Em uma ação integrada, envolvendo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Instituto Federal do Pará (IFPA), está sendo desenvolvido na região o projeto de pesquisa Aquagenômica. O principal objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da aquicultura na Amazônia, por meio da geração e aplicação de recursos genéticos em espécies aquícolas nativas, como peixes da região.
A Ufopa integra o projeto por meio do Campus Monte Alegre, onde a universidade oferta o curso de Engenharia de Aquicultura, e também pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA). Pelo campus, participa a professora Ivana Veneza, docente do curso de Engenharia de Aquicultura, que trabalha em parceria com o pesquisador da Embrapa Eduardo Varela. Ainda conta com a participação de alunos de graduação que estão realizando seu trabalho de conclusão de curso pelo projeto: Luan Sousa, Elieusa Vieira e Vandercleia Torres. Pelo PPGRNA, participam o professor Gabriel Iketani e o bolsista de pós-doutorado Charles Ferreira.
De acordo com a professora Ivana Veneza, com a pesquisa será possível entender a base genética de características relevantes para a aquicultura, como crescimento, resistência a doenças, reprodução, qualidade da carne, e aplicar esse conhecimento em programas modernos de melhoramento genético. “Isso tornará a produção aquícola mais eficiente, sustentável e economicamente viável”, disse a docente.
Ação em centros de reprodução de tambaqui
Nos dias 21 de março e 10 de abril de 2026, uma equipe do curso de Engenharia de Aquicultura do Campus Campus Monte Alegre realizou atividades de chipagem de matrizes e reprodutores de tambaqui em unidades de produção aquícola no Oeste do Pará. Com os microchips nos peixes, é possível fazer o rastreamento e manejo individual. As ações ocorreram em dois centros de reprodução e distribuição de alevinos do Baixo Amazonas: a Piscicultura Dona Anália, localizada no município de Alenquer, e a Estação de Piscicultura Santa Rosa (Sedap), em Santarém.
As ações de chipagem de reprodutores/matrizes e avaliação da variabilidade genética podem auxiliar os produtores de peixes de duas formas principais:
Primeiramente, a marcação eletrônica (chipagem) permite a identificação individual dos peixes, possibilitando o controle preciso de quais indivíduos serão utilizados em cada ciclo reprodutivo. Na piscicultura, a reprodução de espécies como o tambaqui é feita por indução hormonal, um processo que pode causar estresse e desgaste nos animais. Com a identificação dos indivíduos, torna-se possível alternar os reprodutores e matrizes ao longo dos ciclos, garantindo um período adequado de recuperação e melhorando o manejo reprodutivo;
O segundo benefício está relacionado à variabilidade genética, um fator essencial para a qualidade do conjunto de peixes do local. Quanto maior a variabilidade genética entre os reprodutores, maior tende a ser a robustez dos peixes, refletida em maior resistência ao estresse, às variações na qualidade da água e a doenças. Além disso, também resulta na produção de alevinos com menor mortalidade e melhor desempenho zootécnico, incluindo crescimento mais rápido e redução do tempo até o tamanho de comercialização, o que diminui os custos de produção.
“Dessa forma, a análise da variabilidade genética permite orientar os piscicultores sobre a qualidade genética de seus plantéis (conjunto dos peixes). Em casos de baixa variabilidade, pode-se recomendar a renovação dos reprodutores, contribuindo para a sustentabilidade e eficiência da produção aquícola”, enfatizou professora Ivana.
Durante as atividades, além da identificação eletrônica dos peixes, foram coletadas amostras de tecido biológico de tambaquis, pirapitingas e matrinxãs. O material será utilizado em análises de variabilidade genética, com o objetivo de gerar informações que subsidiem o manejo e o melhoramento dos peixes (matrizes e reprodutores) cultivados.
Sobre o projeto
O projeto de pesquisa Aquagenômica foi aprovado no edital Pró-Amazônia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e desenvolvido em rede sob a liderança da Embrapa Pesca e Aquicultura.
Para alcançar o objetivo principal, o projeto se estrutura em diferentes etapas: há o sequenciamento de DNA de espécies aquícolas amazônicas, que pode ajudar na identificação de marcadores genéticos para monitorar a saúde e a qualidade; estudos genéticos para compreender como os genes controlam características produtivas de interesse para a aquicultura; e o uso de biotecnologias para eliminação de espinhas intermusculares em peixes e outras melhorias de características produtivas.
Além dessas etapas, o projeto prevê estudo da relação entre alimentação e genética para desenvolvimento de dietas mais eficientes, com uso de ingredientes regionais. A partir da pesquisa serão criados bancos de dados genéticos para disponibilizar informações a programas de melhoramento.
Como o projeto foi aprovado em uma chamada do CNPq Pró-Amazônia, ele está inserido no contexto da Amazônia Legal. Sua execução ocorre, principalmente, nos estados do Pará e Tocantins, com atuação de diferentes instituições: a UFPA (Campus de Bragança, no Nordeste Paraense), o IFPA (Campus de Tucuruí, no Sudeste do Pará), a Ufopa (Santarém e Monte Alegre, no Baixo Amazonas) e a Embrapa Pesca e Aquicultura (Tocantins).
Mas, para além dessas áreas de execução direta, o projeto deve se estender para outras regiões, considerando que as espécies estudadas ocorrem naturalmente e são amplamente cultivadas em toda a bacia amazônica. “Assim, os resultados da pesquisa têm potencial para beneficiar outras áreas da Amazônia Legal, incluindo estados como Amazonas, Rondônia, Roraima e Mato Grosso, ampliando seu impacto científico, econômico e produtivo”, destacou a professora Ivana Veneza.
Motivação: O projeto foi criado para atuar no enfrentamento de desafios relacionados à produção de peixes, considerando que a aquicultura vem se consolidando com uma atividade estratégica diante do crescimento da demanda global por proteína animal. Nesse contexto, o projeto Aquagenômica surge como uma iniciativa inovadora para enfrentar esses entraves por meio da aplicação de ferramentas modernas da genética.
Na prática, os resultados esperados podem trazer benefícios diretos aos piscicultores, como o aumento da produtividade, a redução dos custos de produção e a melhoria da qualidade dos peixes, incluindo características desejáveis como menor presença de espinhas intermusculares. Além disso, o uso de ferramentas genômicas pode contribuir para o desenvolvimento de animais mais resistentes a doenças e mais adaptados às condições de cultivo, bem como possibilitar a formulação de rações mais acessíveis, utilizando ingredientes regionais.
Ascom/Ufopa
17/04/2026