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Universidade Federal do Oeste do Pará

Ultima atualização em 24 de Julho de 2026 às 17:05

Ufopa monitora "limo" no rio Tapajós para proteção do meio ambiente e da saúde


Estudo das florações de cianobactérias integra pesquisa de doutorado.

O rio Tapajós é um dos principais eixos de desenvolvimento, subsistência e identidade do Baixo Amazonas paraense. Como um dos maiores patrimônios naturais da Amazônia, o Tapajós desempenha papel fundamental para milhares de pessoas que dependem de suas águas para abastecimento, pesca, lazer e transporte.

Diante desse cenário, a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) desenvolve uma pesquisa de doutorado voltada ao monitoramento de florações de cianobactérias no rio Tapajós, visando ajudar na preservação desse ecossistema e na segurança das populações que vivem às suas margens. O estudo é realizado pelo servidor da Ufopa Fernando Abreu Oliveira, químico industrial e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da universidade.

As cianobactérias são microrganismos naturalmente presentes em ambientes aquáticos, mas, quando encontram condições favoráveis, como altas temperaturas e excesso de nutrientes, podem se multiplicar rapidamente formando florações, conhecidas popularmente como "limo".  Algumas espécies dessas florações produzem toxinas que podem representar riscos à saúde humana e animal. Por conta disso, o monitoramento contínuo é uma ferramenta essencial para a prevenção e a gestão ambiental.

Etapas da pesquisa

Desenvolvido no âmbito do Laboratório de Estudos de Impacto Ambiental (LEIA) da Ufopa, coordenado pelo professor José Max Barbosa de Oliveira Júnior, do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA), o estudo foi estruturado em três etapas complementares:

  1. A primeira consiste no monitoramento das florações por meio de sensoriamento remoto, campanhas de campo e análises de clorofila-a e cianotoxinas, permitindo identificar áreas de ocorrência e avaliar possíveis impactos à qualidade da água e à saúde ambiental;

  2.  A segunda etapa prevê análises laboratoriais para identificar e caracterizar os microrganismos fotossintetizantes presentes nas florações;

  3. Na terceira etapa, serão realizadas entrevistas com comunidades ribeirinhas para compreender como essas populações percebem as florações, utilizam a água do rio e recebem informações sobre possíveis riscos à saúde.

A pesquisa, que ainda está na primeira fase, monitora doze (12) pontos transversais – pelo meio do rio Tapajós – nas praias de Ponta de Pedras, Alter do Chão e Pindobal, envolvendo os municípios de Santarém e Belterra. A iniciativa também conta com a coorientação da professora Dávia Marciana Talgatti, atual Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação Tecnológica (Proppit) da Ufopa.

O pesquisador Fernando Oliveira destacou que a pesquisa visa aproximar a população do conhecimento científico: “Mais do que compreender um fenômeno natural, o projeto busca aproximar a ciência da sociedade, produzindo conhecimento que contribua para a conservação do rio Tapajós e para a proteção das pessoas que dependem diariamente de suas águas”.

De acordo com o doutorando, a pesquisa integra tecnologia, trabalho de campo, análises laboratoriais e diálogo com a população para gerar informações científicas que possam subsidiar ações dos órgãos ambientais e de saúde, além de contribuir para o monitoramento da qualidade da água e fortalecer estratégias de prevenção, educação ambiental e proteção da saúde pública na região amazônica.

A pesquisa é financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo projeto Águas do Tapajós, desenvolvido pela The Nature Conservancy (TNC Brasil).

 

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Campanha de campo em Ponta de Pedras para coleta de amostras.

 

Parceria com a prefeitura de Belterra

O estudo conta com a parceria do projeto de monitoramento ambiental por sensoriamento remoto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Semac) de Belterra, desenvolvido por meio do Programa Brasil MAIS da Polícia Federal.

A proposta de integração entre a pesquisa de doutorado e a Semac teve a iniciativa do servidor público de Belterra Everton Cruz da Silva, que é egresso da Ufopa e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO) da Universidade Federal do Pará (UFPA). De acordo com o coordenador do LEIA, professor José Max de Oliveira, o agente público identificou a possibilidade de unir as competências das instituições para fortalecer a gestão ambiental do município de Belterra e, ao mesmo tempo, potencializar as atividades de pesquisa desenvolvidas pela Ufopa.

O professor reforçou que as imagens disponibilizadas pelo Programa Brasil MAIS proporcionam maior agilidade na identificação das áreas com ocorrência de florações de cianobactérias, permitindo direcionar as campanhas de coleta e monitoramento em campo de forma mais eficiente: “Essa integração também fortalece a produção de conhecimento científico aplicado à gestão ambiental e amplia a capacidade de resposta frente aos eventos de floração”.

Na parceria, a Semac de Belterra disponibilizou a infraestrutura tecnológica por meio do acesso ao Programa Brasil MAIS, da Polícia Federal, sendo responsável pelo monitoramento ambiental via sensoriamento remoto, pela identificação das áreas com potencial ocorrência de florações de cianobactérias e pelo apoio às atividades de campo.

A Ufopa, por meio do projeto de doutorado e do LEIA, ficou responsável pelo planejamento das campanhas de coleta nos pontos do Tapajós, pela validação em campo das áreas identificadas nas imagens de satélite e pelas análises laboratoriais das amostras, permitindo confirmar a ocorrência das florações e gerar informações científicas sobre o fenômeno.

Prêmio: A parceria entre Ufopa e Semac/Belterra resultou no reconhecimento do programa federal na segunda edição do Prêmio Brasil MAIS 2026, no qual a iniciativa conquistou o 2.º lugar na categoria instituições municipais. O prêmio busca reconhecer experiências inovadoras desenvolvidas com o uso da plataforma e incentivar o intercâmbio entre instituições.

 

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Everton Cruz da Silva, servidor de Belterra,
na cerimônia de entrega do prêmio.

 

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Ao centro, o pesquisador Fernando Oliveira exibe o troféu do Prêmio
Brasil Mais 2026, ​​​​​acompanhado de servidores da Semac de Belterra.

 

Sobre o LEIA

O Laboratório de Estudos de Impacto Ambiental (LEIA) atua no monitoramento ambiental da Amazônia por meio de diferentes abordagens científicas. Além dos estudos sobre a qualidade da água, o laboratório desenvolve pesquisas com bioindicadores, como odonatas (libélulas e libelinhas) e outros insetos aquáticos, contribuindo para a avaliação da saúde dos ecossistemas.

Rosa Rodrigues – Ascom/Ufopa
24/07/2026

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